Poderão reviver estes ossos?

Jônatas da Cunha Ferreira

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Max Gehringer, autor de diversos livros sobre carreira e gestão empresarial, publicou texto na revista Exame de 2002, dizendo: “Certa vez fiz uma prova de uma faculdade de propaganda. Um dos itens era ‘redação livre’, para a qual havia apenas um tema em comum a todos os estudantes. E o tema era: ‘Descreva o que você vê na folha anexa’. Só que a tal folha anexa estava em branco. A maioria virou a folha para ver se havia algo no verso. Não havia! E lá no fundo um apressadinho levantou a mão e chamou a atenção do professor: – Mestre, a folha está em branco. O mestre só olhou por cima dos óculos, com um ar de reprovação. E todo mundo entendeu: o que era possível enxergar numa folha em branco? Quando as notas saíram, curioso, fui perguntar ao mestre qual o critério de avaliação. E ele me disse: – Quanto mais surpreendente a resposta, melhor a nota. A resposta mais comum foi ‘nada’ e mereceu nota 4. Foram apenas duas notas 8. E uma delas até hoje mexe comigo. Alguém escreveu: – Vejo uma oportunidade!”.

Pergunta semelhante foi feita a Ezequiel quando levado pelo Senhor a um vale de ossos secos (Ez 37.1-14): O que você vê? Apenas ossos secos e morte? Poderiam estes ossos reviver? Essa pergunta de Deus para Ezequiel revela uma verdade surpreendente e profunda: onde vemos apenas morte e vazio, Deus vê oportunidade de restaurar e transformar, mostrando todo esplendor de seu poder e a beleza da sua glória. O que vemos ao olhar para alguém devastado pela dor de uma perda irreparável? Ou o que enxergamos ao pôr os olhos sobre nosso próprio coração por vezes seco e vazio, em circunstâncias que nos sugam a alma e a calma? Deus vê uma oportunidade! E ali, Ele devolve a vida por sua Palavra e pelo seu Espírito. Ezequiel atendeu a ordem para falar aos ossos secos: ouçam a palavra do Senhor! (37.4). E os ossos secos ressurgiram, ganhando vida pelo Espírito do Senhor (37.9-10). É pela Palavra que o Espírito de Deus vivifica a alma sem esperança, seca, sem vida, sem Deus. Pela Palavra há transformação na mente, no coração, nas ações e nas intenções. Por meio dela, Deus traz ânimo ao cansado, revigora o abatido e, por seu Espírito, dá nova vida.

É desafiador o fato de Deus ordenar Ezequiel levantar sua voz para falar a um monte de ossos secos, quando não percebia possibilidade de vida. Deus usa o profeta para proclamar sua Palavra, fazendo dele instrumento da sua ação regeneradora. Isso me leva a pensar na necessidade de enxergarmos — nas pessoas e em nós mesmos — a oportunidade de Deus suscitar vida, alegria e transformar o coração quando aparentemente só há sequidão e morte. Mas, para isso, precisamos ser estes instrumentos de proclamação da Escritura que o Espírito aplica ao coração — nosso e do outro — e usa com poder para transformar e devolver a alegria.

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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