O chamado de Cristo e a resposta de Chapolin

Jônatas da Cunha Ferreira

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Depois de ser preterido pelos samaritanos, Jesus continuava buscando um lugar para repousar, quando foi abordado por alguns homens (Lucas 9.57-62). Olhando para um deles faz o desafio de ser seu discípulo, dizendo: “Segue-me!” (9.59). Este, porém, a quem fora dirigido o convite inesperado de Jesus, titubeando e, talvez, constrangido em negá-lo tão abertamente diante da multidão, responde ao modo Chapolin Colorado, dizendo: Sim, eu vou — mas com o mais profundo receio característico de quem, na verdade, não quer ir. E se justifica da sua dificuldade: deixa-me primeiro sepultar meu pai (9.59).

O interessante de sua resposta é que provavelmente seu pai ainda estivesse vivo e não se encontrasse nem perto da morte. Ele não pede a Jesus para retornar ao ofício fúnebre de seus pais. O que queria era uma desculpa para protelar o compromisso, dizendo que tinha alguma coisa importante para fazer antes, tal como esperar que seu pai viesse a falecer dali uns 10 ou 20 anos para, então, poder seguir a Jesus integralmente.

Muitas vezes agimos assim. Quando desafiados a encarar o chamado de Jesus, que requer abnegação e empenho em seu serviço, respondemos ao modo Chapolin. Não admitimos nosso com sinceridade nosso desinteresse e em justificativa apresentamos uma série de “tarefas a concluir” antes de encarar e assumir um compromisso autêntico com Cristo e com sua obra. Sempre temos outra coisa para fazer primeiro quando o assunto é seguir Jesus de perto: Eu preciso primeiro consertar a minha vida e resolver problemas em casa; eu preciso primeiro conseguir um emprego e melhorar financeiramente; preciso primeiro terminar a faculdade; eu preciso criar meus filhos; eu preciso de um tempinho na agenda, que por enquanto está muito cheia com afazeres que são apenas do meu interesse — meu trabalho e meu lazer. Entretanto da mesma maneira que Jesus respondeu àquele homem, também nos fala hoje: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o Reino de Deus (9.60).

O homem desafiado certamente usou esta desculpa porque a sociedade o requeria. No entanto, a lealdade e fidelidade ao Reino de Deus suplantam qualquer exigência terrena. O mundo nos exige a preocupação com seus cuidados, mas Deus busca os humildes de espírito (Mt 5.3). A sociedade exige que sejamos profissionais bem-sucedidos, mas Deus procura homens e mulheres com um coração íntegro e atitudes de servos (Mt 5.8). Nossa cultura exige o “não levar desaforo para casa”, mas Deus chama de filhos os que são pacificadores e os que se comprometem às últimas consequências com o seu Nome (Mt 5.9-11). E a pergunta que finalmente ecoa é: A quem vou devotar meu interesse?

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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