Entre a celebração e a ingratidão

Jônatas da Cunha Ferreira

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Estamos acostumados a viver a fé cristã restrita apenas à experiência religiosa: associamos adoração ao culto, edificação ao sermão, consagração ao serviço na igreja, etc. Estabelecemos uma ligação do relacionamento com Deus exclusivamente ao templo e aos atos de celebração comunitária. Todavia, quando olhamos para a vida de Jacó, vemos como Deus o persegue graciosamente, não somente nas epifanias, mas em meio a todas as rotinas diárias. E isso nos faz ver como a fé cristã transformadora acontece em meio a estas coisas comuns e simples: comer, dormir, viajar, casar-se, ter filhos e trabalhar pelo pão diário.

A experiência de Jacó com seu irmão Esaú revela como as refeições são expressão da fé cristã prática. Esaú e Jacó fizeram da mesa do jantar um lugar de disputas (Gn 25.27-34; 27.1-41). Comer é mais que se alimentar. A comida foi o primeiro presente de Deus para humanidade e também o contexto para o primeiro pecado. A refeição pode ser expressão de uma fé sadia ou de um coração que precisa urgentemente de mudanças.

Nela podemos experimentar uma linha tênue entre a celebração da bênção de Deus e a ingratidão. Esaú vendeu seu direito de primogenitura, negligenciou a bênção de Deus, trocando-a por um guisado de lentilhas. Seu paladar governava sua alma e aquele guisado revelou sua carnalidade: nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura… (Hb 12.16)

Ele desprezou esse privilégio, pensando apenas na próxima refeição, de forma que disse: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura? (v.32). A imoralidade de Esaú foi seu ateísmo prático — viveu como se Deus não existisse e para satisfazer seus sentidos e obter gratificação instantânea. Poderia ter celebrado a bênção de Deus na refeição, mas passou para o lado da ingratidão: Nenhum homem vende a sua primogenitura no ato. Ele deprecia, despreza, barateia de todas as formas para si mesmo, antes de vendê-la tão barato a outro. (A Whyte)

Você é dominado pelo seu estômago e satisfação dos seus sentidos e paladar ou pela vontade de Deus? O que temos no coração quando recebemos o alimento — gratidão ou indiferença? É a indiferença que conduz à negligência da ingratidão. Podemos experimentar a celebração da bênção e provisão de Deus ou a ingratidão na maneira como recebemos o alimento. Podemos experimentar uma confiança centrada no Deus criador e provedor de todas as coisas ou em nossa própria força, senso de controle e direção da vida. A maneira como nos assentamos à mesa para as refeições revela se temos um coração que vibra alegremente com a bondade de Deus ou um coração que tem desprezado a bênção Divina materializada no pão diário.

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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