Somos todos pródigos

Jônatas da Cunha Ferreira

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Não há cristianismo sem arrependimento. Quando Jesus começou a pregar em seu ministério público, pregou o arrependimento como condição para se fazer parte do Reino de Deus: Arrependei-vos, porque está próximo o Reino de Deus (Mt 4.17). E o objetivo do arrependimento é trazer-nos do estado de rebelião para o de adoração.

Ariovaldo Ramos tem uma definição interessante para o arrependimento: concordar com a Trindade. Arrepender-se é finalmente concordar que Deus está certo no que pede, no que diz, no que faz, em como determina e disciplina as coisas. É concordar que a vontade do Deus trino é a única coisa funcional no Universo e que tudo mais é uma perda de tempo e razão.

Nós temos dificuldade de fazer isso. Concordamos no básico, mas temos dificuldades nos detalhes. Mas precisamos fazê-lo. E a parábola do filho pródigo é um texto que nos mostra o que precisamos reconhecer (Lc 15.11-32).

A parábola conta a história do pai amoroso com dois filhos rebeldes. O mais novo desprezou o pai ao pedir sua parte na herança, desejando sua independência: Dá-me a minha parte da herança que eu vou embora. Para mim o senhor morreu e eu quero usar o dinheiro como eu quiser. O mais velho desprezou o pai ao reclamar da acolhida ao filho perdido que havia voltado: eu o servi a vida inteira e você nunca matou um cordeiro para fazer um churrasco com meus amigos. E agora que esse filho voltou você mata o cevado para fazer uma festa? Nenhum dos dois conhecia bem o pai. O mais moço não conhecia o caráter do Pai e o considerou como morto ao pedir sua parte da herança. O mais velho, mesmo vivendo perto dele a vida inteira, não conhecia o Pai porque também queria ir embora. Só não foi porque tinha medo de perder tudo. Estava perto, mas tão longe quanto o mais moço.

O primeiro passo do verdadeiro arrependimento é o reconhecer que temos um Pai e que somos todos naturalmente pródigos. Reconhecer que todos nós estávamos perdidos de duas maneiras: ou jogamos a nossa vida fora, como o filho mais jovem, ou jogamos Deus fora, como o filho mais velho. Temos de reconhecer que não o conhecemos direito e que precisamos conhecê-lo de verdade — não como uma projeção de nós mesmos ou como desejamos vê-lo, mas exatamente como Ele se revela a nós na Escritura. Conhecê-lo como Ele é; entender quem somos diante Dele porque, naturalmente, não sabemos — apenas supomos — e temos necessidade de que Ele nos diga quem nós somos.

Enfim, temos de reconhecer que viemos de Deus e que para Ele devemos viver numa relação de adoração, submissão e cumplicidade. Reconhecer que, mesmo perdidos, Ele nos encontrou e nos recebeu de volta como filhos, apesar de toda rebeldia.

Tubarão/SC, 08 de setembro de 2013

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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