Esperança em tempos de tropeços

Jônatas da Cunha Ferreira

130623_boletim319 590

Pedro e Judas. Dois discípulos que caminharam muito perto de Jesus durante três anos. Dois homens que viram, ouviram e experimentaram intensamente da presença de Cristo. Ambos pecaram. Ambos negaram e traíram Jesus. Um teve medo e escondeu-se. O outro o entregou para a morte. Um experimentou o arrependimento. O outro não. Um viveu inteiramente para Cristo. O outro tirou a própria vida.

O contraste entre as experiências destes homens nos leva a perceber como apenas arrependimento verdadeiro é capaz de nos devolver a alegria genuína quando encaramos nossos próprios pecados, intencionais ou não. Apenas o arrependimento abre as portas para uma vida nova porque inicia o processo de libertação da culpa e abre portas para recomeçar.

Pedro havia se esquecido de que dissera que jamais abandonaria Jesus. Mas, quando Jesus o olha nos olhos, ele cai em si: Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente (Lucas 22.61-62). Este olhar foi como uma flecha. Ali, viu sua culpa. E seu arrependimento sincero em choro amargo iniciou um processo de transformação e liberdade. Seu choro abriu caminho para o recomeço de um relacionamento ainda mais profundo com Cristo (Jo 21.15-18). Pedro tornou-se outro. E mais tarde morreu pelo nome de Cristo e pelo evangelho.

Judas, ao contrário, ao ver que Jesus fora condenado, foi tomado de remorso. Também viu a sua culpa de frente, mas não se arrependeu. Amargurou-se. Sentiu-se oprimido e tirou a própria vida por não suportar a dor. Perdeu as chances de recomeçar. A culpa o levou ao fundo do abismo. Morreu e o único legado que deixou foi a mudança de significado de seu nome que se tornou sinônimo de traição.

A culpa é opressora. Esmaga a alma e rouba nossa sanidade. Produz ansiedade e medo. Leva-nos a fugir dos erros ou a viver em autopunição doentia. Só no arrependimento verdadeiro, voltando-se do pecado para Deus, é possível reencontrar liberdade e alegria porque faz-nos ver quem somos e de onde viemos e quem é que nos guia pelo caminho. O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Provérbios 28.13).

Erramos muito. E erramos sempre. Há muitos tropeços em nossa caminhada. Muitas trapalhadas e escolhas equivocadas. Mas não precisamos ficar sem esperança: onde há arrependimento verdadeiro há espaço para o recomeço. O arrependimento — que confessa e deixa o pecado — nos livra da culpa e do peso de fardos que não precisamos mais levar, porque Cristo os levou e suportou por nós na cruz.

Jônatas da Cunha Ferreira
Tubarão/SC, 22 de junho de 2013

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s