Esperança em tempos de ansiedade

Jônatas da Cunha Ferreira

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Tempos de ansiedade são aqueles em que sofremos com problemas mesmo antes de chegarem; em que nos preocupamos demasiadamente com o futuro. Essa condição é agravada pela visão competitiva da nossa cultura que oferece um modelo de vitória que se resume a sucesso profissional e financeiro. A ansiedade é um mal democrático. Atinge todas as pessoas em todos os tempos, idades e culturas.

Ao lermos o primeiro capítulo de 1Samuel somos levados a ver como Ana vivia um tempo de ansiedade. Na cultura do antigo oriente a quantidade de filhos homens de uma mulher era sinal de prosperidade econômica e soberania militar. Por isso, uma mulher sem filhos era desprezada, sendo considerada um fardo social. E Ana não tinha filhos. Ela era irritada e desprezada (v.6). Essa era a causa da sua ansiedade e de sua alma amargurada (vv.15,16).

Todavia, a Bíblia fala que a ansiedade é inútil. A preocupação demasiada não muda o curso da vida nem adianta o relógio. É uma perda de tempo e energia. Quem sofre pelo dia de amanhã sofre duas vezes ou desnecessariamente. Pois, Jesus disse: Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? (Mt 6.27). Além disso, sua raiz está na incredulidade. Ela ocupa nosso coração quando desviamos nossos olhos da majestade de Deus: Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? (…) Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal. (Mt 6.30-31,34)

Por isso, na sua angústia, Ana orou ao Senhor (v.10). A oração é a alavanca do espírito. Quando o fardo do viver pesa como chumbo sobre a alma quase asfixiada, o homem se curva e volta o olhar para Deus. A oração pode fazer por nós o que a ansiedade não pode fazer. E orar é voltar-se Deus; é curvar-se diante Daquele que está assentado no alto e sublime trono do universo; é render-se aos cuidados Daquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos. A oração muda o coração, revigora a esperança, alimenta a fé.

Ana orou, confiou e se entregou ao cuidado soberano, poderoso e providente de Deus. E se foi com seu semblante transformado (v.18). Sua alma já não estava triste. Sua mente voltou a ter paz. Tempos de ansiedade precisam ser atravessados na certeza e confiança de que Deus nos supre, pois, sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia (2Tm 1.12). Assim, a paz de Deus que enche o coração e faz descansar a alma. Temos paz com Deus. Temos a paz de Deus e temos o Deus de paz conosco.

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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