Luz contra a violência

Jônatas da Cunha Ferreira

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Em março de 2007, na Hungria, uma mulher se ofereceu para atravessar dezenas de vezes uma rodovia a fim de salvar rãs na época da procriação. Poucos dias antes, uma mulher belga matou a facadas seus cinco filhos e depois tentou suicidar-se. O contraste dessas notícias mostra o quanto o ser humano é estranho. É capaz de salvar uma pulga e de assassinar uma mulher grávida. Mostra como vivemos em um mundo violento, autodestrutivo, em franca decomposição moral, ética, social, política.

É precisamente este o cenário pintado por Jesus há mais de 2.000 anos no sermão do monte (Mateus 5.13-16). Naquele discurso, Jesus utilizou duas metáforas para descrever o cristão: o sal da terra e a luz do mundo. E o mundo glorificando a Deus ao reconhecer: eles são verdadeiramente sal e luz. Ao usar essa metáfora, Jesus pressupõe que o mundo é autodestrutivo. Ele não possui força para se autopreservar. Por isso, precisa de sal, para se conservar e de luz porque está em trevas. O mundo não está melhorando. Por isso, é necessário que o discípulo seja sal e luz para fazer a diferença na terra. Por isso, Ele também advertiu: o sal tem que fazer efeito e a luz tem que brilhar.

Encontrar refúgio em meio à cultura de violência, portanto, não é apenas fruto de uma esperança passiva, mas de uma responsabilidade que temos: nós somos o método de Deus. Quando Jesus chamou seus discípulos de sal da terra e luz do mundo, o fez longe de estruturas institucionais, das cidades, dos templos e das estruturas políticas e econômicas. Ele estava deixando claro que as estruturas eclesiásticas, templos e métodos não são sal da Terra. Homens e mulheres crentes que o são!

Por isso, nossa pregação deve ser também para questionar, desmascarar, condenar, arrancar da alma humana o último pingo de justiça própria. Se tivermos medo de falar contra a perversidade, a corrupção, a violência, e a favor da santidade, da soberania e do juízo de Deus, nós fracassaremos como sal e luz. E isso requer intencionalidade. O sal precisa ser útil. A luz precisa ficar exposta. Senão não servem para nada. A lâmpada não está acesa para iluminar-se a si mesma. Sua finalidade é iluminar a outros. Requer também a consciência da missão e sair da zona de conforto.

Por isso, aproveite as oportunidades de fazer diferença. Não despreze as que parecem pequenas. Peça a Deus sabedoria. Levante a voz contra a injustiça. Anuncie o arrependimento e a salvação: confie e espere pela ação do Espírito de Deus. Então brilharemos mais, como queria o filósofo ateu Friedrich Nietzsche: Os cristãos deviam brilhar mais; então eu acreditaria no salvador deles. Nem todos os que se chamam cristãos são luzes. Uma vela ainda não é uma luz, a menos que esteja acesa.

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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