Pessimismo e Arrependimento

Jônatas da Cunha Ferreira

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A tradição popular retrata Tomé como “o descrente”. Mas, quando Tomé fala, percebemos que ele era melhor que isso. No entanto, é justo dizer que ele era uma pessoa negativa. Um pessimista que sofria de preocupação crônica. Tomé esperava sempre o pior.

Certa vez, Jesus tinha acabado de sair de Jerusalém porque os judeus procuravam matá-lo (Jo 11.1-16). Por isso, se retirou para o deserto para pregar livremente. Porém, esse momento foi interrompido pelo chamado de Marta e Maria, por conta da enfermidade de Lázaro. Betânia ficava nos arredores de Jerusalém, onde todos corriam risco de ser apedrejados. Mas, Jesus estava decidido a voltar. E aí Tomé falou: “Vamos também nós para morrermos com ele” (Jo 11.16). Trata-se de um comentário pessimista de Tomé. No entanto, um pessimista apaixonado. Tudo que ele via era a tragédia. Mas, ao mesmo tempo, estava decidido a ir com ele.

Tomé era pessimista, mas era leal. Mesmo convencido do pior, não hesitou em seguir em frente. Ele era dedicado a Cristo. Possuía uma devoção profunda, sem se iludir, achando que seguir a Cristo seria um caminho fácil. Esse pessimismo é visto depois da ressurreição (Jo 20.24-29). Ele não estava com os demais quando Jesus apareceu pela primeira vez. E alguém com a disposição de Tomé não seria animado com facilidade. A notícia era boa de mais para ser verdade. Por isso, disse: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.” (Jo 20.25). Essa declaração deu a Tomé a fama de incrédulo. Mas, não sejamos duros com ele. Todos demoraram a crer. Os demais também só creram na ressurreição depois que viram Jesus. Tomé não foi pior ou mais descrente que os demais. E quando Jesus apareceu novamente, ele foi tomado pelo arrependimento, fazendo uma das maiores declarações de fé: “Senhor meu e Deus meu!” (v.28). Daí para frente, ele foi transformado num grande evangelista.

É interessante que Deus tenha usado um pessimista como Tomé. Alguém com uma visão negativa das coisas. O que fica evidente é que ele foi transformado. Ele reconheceu seu pecado, sua fragilidade, sua necessidade do perdão diante de Cristo. Para recebermos a graça e o perdão libertador de Deus, não podemos relutar em reconhecer nossos pecados. Não olhar só para o que está errado fora de nós: os erros dos outros, os defeitos dos outros, os erros das situações, dos sistemas, etc. Precisamos olhar com seriedade para o nosso próprio coração com disposição de ver o que há de errado dentro dele. A mensagem do evangelho não é de triunfalismo, mas de arrependimento. Não é de prosperidade, mas de transformação. “Arrependei-vos e crede no evangelho”, disse Jesus (Mc 1.15).

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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