Pequenas Dádivas

Jônatas da Cunha Ferreira

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André era irmão de Pedro. Ele foi o primeiro entre os doze a se tornar discípulo. Ele era discreto. Seu nome foi citado apenas 12 vezes no Novo Testamento, enquanto Pedro foi citado mais de 150 vezes. Talvez André vivesse à sombra do irmão mais proeminente. No entanto, não se vê ressentimento nele. Ao contrário de Pedro, Tiago e João, que provocaram vergonhosas discussões sobre quem era o maior, André parece ser o menos contencioso. Quase tudo o que a Escritura fala sobre ele aponta o fato dele não querer ser o centro das atenções. Sempre que fala, diz a coisa certa. Sempre que age separadamente dos outros, faz o que é certo. Era ponderado e ousado. Seu desejo era seguir a Cristo e conduzir outras pessoas a ele. Vivia a expectativa do Messias. Quando João Batista apontou para Jesus como “o Cordeiro de Deus” ele prontamente o seguiu (Jo 1.36-37).

Sempre que André está em primeiro plano vemos que ao lado de Cristo ele foi capacitado a valorizar as coisas de maneira correta. Sua postura nos ensina a enxergar o valor das pequenas dádivas. Isso fica claro no relato de João sobre os cinco mil que foram alimentados por Jesus com cinco pães e dois peixes (Jo 6.1-15). Estava na hora da refeição e Jesus perguntou a Filipe: “Onde compraremos pão para lhes dar a comer?” (*v.6). Filipe fez as contas e viu 200 denários, que era uma quantia considerável, mas que não seria suficiente para alimentar a multidão (v.7). A visão de Filipe foi sobrepujada pelo tamanho da necessidade. Foi então que André falou: Está aí um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas isto que é para tanta gente? (v.9)

Ele sabia que cinco pães e dois peixes não seriam suficientes para alimentar cinco mil pessoas, mas mesmo assim levou o menino a Jesus. Fez o melhor que pode. Identificou a única fonte de comida disponível e certificou-se de que Jesus soubesse dela. Ele parecia entender que nenhuma dádiva é insignificante nas mãos de Cristo. E Jesus multiplicou os pães de modo que ainda sobraram doze cestos. O fato de tão pouco ser utilizado para realizar tão grande feito é testemunho do poder de Cristo.

Isso aponta para a necessidade de nos oferecermos totalmente a Cristo, sem reservas, ainda que tenhamos pouco ou que vejamos nossos talentos como pequenos. Ele toma nossas dádivas, pequenas, modestas e simples, e as multiplica de modo a realizar coisas monumentais. Ele toma nossa fraqueza e a transforma em força para glória do seu próprio Nome. Ele busca nossa fidelidade, não a nossa capacidade. Afinal, é sempre sobre a fraqueza humana e a humilhação, e não sobre a força e confiança, que Deus escolhe construir o seu Reino. Ele pode usar-nos não simplesmente apesar da mediocridade, impotência e enfermidades que nos desqualifiquem, mas exatamente por causa delas.

Jônatas da Cunha Ferreira • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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