Jesus, a alegria desejada pelo homem

Ultimato

A tradução mais literal para o título original da famosa composição de Bach “Jesus, alegria dos homens” (“Jesus, joy of man’s desiring”) seria “Jesus, a alegria que os homens desejam”. Dois trechos para coral indicam a força com que o compositor considerava Jesus como a resposta aos anseios de felicidade do homem:

Bem-aventurado sou, porque tenho Jesus.
Oh, quão firmemente eu o seguro,
Para que traga refrigério ao meu coração,
Quando estou triste e abatido.
Eu tenho Jesus, que me ama e se confia a mim.
Ah! Por isso não o deixarei,
Mesmo que meu coração se quebre.

Jesus continua sendo minha alegria,
O conforto e a seiva do meu coração
Jesus refreia a minha tristeza,
Ele é a força da minha vida
É o deleite e o sol dos meus olhos,
O tesouro e a grande felicidade da minha alma,
Por isso, eu não deixarei ir Jesus
Do meu coração e da minha presença.

A redescoberta de que Jesus é a fonte de alegria fará de nós cristãos muito mais felizes e trará renovação na vida e no testemunho da Igreja. Esta reflexão não é nova. A resposta à primeira pergunta — Qual é o fim principal do homem? — do Catecismo de Westminster (1648) traz esta indicação: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”.

Jonathan Edwards, no início do século 18, dizia que a razão de nossa existência é glorificar a Deus à medida que nos deliciamos nele. Só glorificamos a Deus se somos realmente felizes.
Na introdução de seu livro Ser É o Bastante, sobre as bem-aventuranças, Carlos Queiroz diz: “A felicidade do discípulo consiste primeiramente no reencontro harmonioso com o Ser que é Feliz. […] Fora da vocação humana, fora da filiação em Deus, qualquer ser humano viverá — ou melhor, morrerá — em demasiada tristeza”.

“A salvação não significa apenas perdão de pecados, mas, acima de tudo, comunhão com Jesus. Se essa comunhão não for plenamente prazerosa, não haverá grande salvação”, é o que afirma John Piper, no capítulo “A alegria indestrutível”, do livro “Um Homem Chamado Jesus Cristo”.

Jesus nunca foi triste. Um texto pouco conhecido das Escrituras revela Jesus alegre no início do mundo criado: “Eu estava ao seu lado, e era o seu arquiteto; dia após dia eu era o seu prazer e me alegrava continuamente com a sua presença” (Pv 8.30). Em Hebreus 1.8 e 9, Deus diz ao Filho: “Amas a justiça e odeias a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus companheiros, ungindo-te com óleo de alegria”. No Salmo messiânico (16.8, 11) Cristo declara: “Eu sempre via o Senhor diante de mim. Porque ele está à minha direita, não serei abalado. Por isso o meu coração está alegre e a minha língua exulta […] e me encherás de alegria na tua presença”.

Embora Jesus tenha experimentado tristeza — uma das ocasiões foi no Getsêmani, quando declarou aos discípulos: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal” (Mt 26.38) –, ele é alegre por natureza. Ele chorou, sofreu fome, cansaço, abandono, morte, mas foi sustentado por uma alegria indestrutível. Foi “pela alegria que lhe estava proposta, [que] ele suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita de Deus” (Hb 12.2).

Em suas palavras de despedida — em um momento de muita tristeza — Jesus promete aos discípulos: “Tenho lhes dito estas palavras para que minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15.11; 17.13). Cristo comunica aos filhos de Deus a sua alegria por meio do Espírito Santo. Se Cristo fosse indiferente ou triste, a eternidade não passaria de um longo suspiro. Porém não é assim. As palavras de boas vindas que Jesus tem preparado para os seus são estas: “Muito bom, servo bom e fiel! […] Venha e participe da alegria do seu senhor” (Mt 25.21).

Oxalá Deus nos despertasse de nossa apatia, indiferença, tristeza ou de nossa “euforia mundana” e imprimisse com cores vivas e de forma constante a alegria de Cristo em nós! — uma oração a ser feita por cada cristão e pela Igreja. Isto nos levaria a apropriarmo-nos da promessa de Jesus: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” (Jo 10.10). As pessoas que ainda não se aproximaram de Cristo — carentes que estão de alegria — se sentiriam atraídas à fonte de alegria por meio de nós.

Revista Ultimato – Edição 332 • ultimato.com.br
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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