O Símbolo mais importante da Páscoa

Jônatas da Cunha Ferreira

A nossa vida é cercada e, porque não dizer, dependente de símbolos. De forma bem simplista, o símbolo é um elemento de representação visível de uma realidade invisível ou abstrata. Por exemplo, na cultura ocidental, anéis dourados (geralmente de ouro) colocados no dedo anelar são símbolo do compromisso conjugal. Dentro da Universidade, o livro é símbolo do conhecimento. A mão fechada com o polegar apontando para cima é, no Brasil, símbolo positivo para o estado das coisas, afirmando que está tudo bem ou que se concorda com o interlocutor. E assim por diante.

A Páscoa, tanto para os hebreus que a comemoraram pela primeira vez ao saírem de quase 430 anos de escravidão no Egito, quanto para os cristãos, tem um significado essencial: LIBERTAÇÃO. E, como tudo em nossa vida, é também cercada de símbolos que deveriam apontar para este significado fundamental.

Por conta do grande estardalhaço com que se dá sua exploração comercial, os símbolos mais conhecidos são o coelho e o ovo de chocolate.

Há quem rejeite a validade destes símbolos, apontando sua origem no paganismo antigo, cuja distribuição de lebres e ovos coloridos estaria ligada ao culto a Ostera, deusa da fertilidade e do renascimento nas mitologias anglo-saxã e germânica.

Por outro lado, há quem os defenda com uma interpretação cristianizada, afirmando que, na Páscoa, os ovos coloridos simbolizariam a ressurreição de Jesus e o coelho a Igreja que, pelo poder de Cristo, é fecunda em sua missão de propagar a palavra de Deus aos povos.

Não quero entrar no mérito da origem destes símbolos. No entanto, seja qual for a interpretação que se dê ou a afirmação que se faça de sua origem, eles se mostram inadequados como símbolos da libertação que a Páscoa significa. Aliás, a única representação de liberdade que trazem é a da esperança de livramento da opressão da crise econômica para os que estão envolvidos no mundo dos negócios do chocolate.

Não precisamos demonizar o coelho e os ovos, mas também não podemos deificá-los. Para vivermos a Páscoa plenamente e explicá-la para que nossos filhos a compreendam, precisamos priorizar os símbolos que melhor a representem. Não é adequado ensinar que a Páscoa é a libertação do pecado pela morte de Jesus com ovos e coelhos, da mesma forma que não é adequado ensinar leis de trânsito com placas de sinalização do refeitório.

Para os hebreus, a Páscoa era comemorada anualmente com pães sem fermento, ervas amargas e carne de um cordeiro sem defeito. O pão lhes lembraria a rápida fuga ao deixarem toda uma vida de escravidão para trás; as ervas seriam a lembrança da amargura da escravidão; e o sangue do cordeiro lembrá-los-ia que sua liberdade foi conquistada a custo de sangue e intervenção divina.

Para nós, cuja libertação não é apenas da opressão humana, mas também da escravidão moral da vontade para o pecado, a Páscoa tem de ser comemorada com Pão e Vinho. O Pão simboliza o Cristo moído, esmagado na sua carne como o trigo, sofrendo a angústia da morte por causa de nossos pecados; e o vinho, seu sangue, sua vida entregue voluntariamente para que perdão e liberdade fossem dados gratuitamente a pecadores: Liberdade do pecado e liberdade para adorar e viver para Deus.

A Páscoa, que para mim é (ou deveria ser) a data comemorativa mais importante para o cristão porque fala da nossa liberdade, não é comemorada apenas uma vez por ano (como faziam os hebreus), mas todas as vezes que “comemos do pão e bebemos do cálice”.

Igreja Presbiteriana de Tubarão 2012 • iptubarao.wordpress.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License
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