Deus Incompreensível

Jônatas da Cunha Ferreira

“Porventura penetrarás até à Perfeição do Todo-Poderoso?” (Jó 11.7)

Durante uma palestra, um estudante perguntou ao teólogo suíço Karl Barth: “Dr. Barth, qual foi a coisa mais profunda que aprendeu em seu estudo da teologia?”. Barth pensou e respondeu com um trecho de uma canção infantil: “Jesus me ama, isto eu sei, pois a Bíblia assim o diz”. Os estudantes sorriram diante de uma resposta tão simples, mas depois ficaram tímidos quando perceberam que ele estava falando sério.

A resposta simples para uma pergunta profunda chama a atenção para duas coisas. Primeiro: mesmo na verdade cristã mais simples reside uma profundidade que pode ocupar as mentes brilhantes toda uma vida. Segundo: mesmo a teologia mais sofisticada realmente nunca ultrapassa um nível pequeno de compreensão das profundas e gloriosas riquezas do Ser de Deus.

Deus pode ser conhecido porque Ele se revela ao homem por meio das coisas criadas e por meio do Filho que é expressão exata do seu Ser. Mas isso não significa que também seja possível compreendê-lo. O livro de Jó diz: “Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular. (…) Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não compreendemos” (Jó 36.26; 37.5).

Deus é incompreensível naquilo que Ele é. A natureza de Deus é totalmente distinta da nossa. Não conseguimos compreender sua grandeza, porque o nosso conceito de grandeza se relaciona a medidas espaciais e temporais às quais ele não está submetido. Sua grandeza vai além do que o nosso conceito de grandeza é capaz de nos informar. As riquezas de Deus não podem ser sondadas por nós. Sua mente é impenetrável porque é infinita. Seus pensamentos são muito mais altos que nossos pensamentos (Is 55.8-9).

Deus é incompreensível naquilo que Ele faz. Não é possível ao homem desvendar as obras de Deus e compreendê-las em sua totalidade. Elas incluem as grandes coisas que não existiam, e que vieram a existir por sua palavra. Inclui também o seu amor para conosco que podemos reconhecer, mas não entender.

Deus não pode ser comparado a nada. Não há modelo que sirva de paradigma para o seu Ser. Por isso, as imagens e esculturas mudam a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível (Rm 1.23). Deus é incomparável. Não há linguagem humana que expresse tudo o que Ele é plenamente. A Escritura o descreve com diversos nomes que refletem atributos diversos de seu Ser. Por isso ele diz de si mesmo: “Eu Sou o que Sou” (Ex 3.14).

Nenhum ser humano tem habilidade para compreender Deus exaustivamente. Somos finitos e não conseguimos assimilar o Infinito. Isso não significa que não podemos conhecê-lo. Apenas que nosso conhecimento é parcial e limitado. Não importa quão profundo seja, sempre haverá muitos aspectos que permanecerão um mistério. No entanto, o que conhecemos de Deus, mediante sua autorrevelação, é verdadeiro e útil. Não temos o conhecimento pleno de Deus, mas ele nos deu de Si mesmo o conhecimento que precisamos.

Isso pode nos desanimar na busca por conhecer a Deus? De maneira nenhuma! Ao contrário, a incompreensibilidade de Deus nos leva a uma maior admiração por sua infinita e gloriosa grandeza. Essa é uma atividade devocional que devemos ter com mais frequência: contemplar no silêncio reflexivo do coração, com admiração sincera, a superioridade, a formosura e a grandeza do Todo-Poderoso.

Autor: Jônatas da Cunha Ferreira
Site: iptubarao.wordpress.com | CC BY-NC-ND 3.0
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