Para colher é preciso plantar…

Jônatas da Cunha Ferreira

Uma analogia muito utilizada por Jesus em seus discursos é a que se refere à vida no campo e plantação. Essas figuras eram muito próprias para ilustrar e tornar claro seu ensino em uma cultura predominantemente agrária. Ele fala de lavradores maus que rejeitaram o próprio Filho do dono da vinha (Lc 20.9-18). Fala dos bons frutos tirados das árvores boas e dos maus frutos tirados das árvores más (Mt 7.15-23; Lc 6.43-45). Ele fala dos campos (Jo 4.35), do trigo e do joio (Mt 13.24-30), da seara (Mt 9.37), da semente, do grão, da plantação e da colheita (Mc 4.26-29).

Destas ilustrações usadas por Jesus, talvez a mais conhecida com essa analogia seja a parábola do semeador (Mt 13.1-23). Ele diz: “Eis que o semeador saiu a semear”. E lançou muitas sementes. Uma parte caiu à beira do caminho, e foram comidas pelos pássaros. Outra porção caiu em solo rochoso. A semente brotou, mas logo foi queimada pelo sol por não ser profunda a terra. Outra parte caiu entre espinhos. Brotando as sementes, foram sufocadas. Uma última porção caiu em boa terra, e ali brotou dando muitíssimo fruto, porque o campo era fértil e produtivo.

Na explicação da parábola que segue, Jesus compara a sua Palavra à semente e o solo aos corações e mentes onde sua a Palavra é lançada. E algumas coisas nos chamam a atenção.

O primeiro pressuposto lógico que envolve o raciocínio de Jesus nessa situação é que para colher é preciso plantar. Parece óbvio. E é mesmo! Mesmo que a terra seja boa e o solo rico em nutrientes, se a semente não for lançada ela continuará estéril, improdutiva, vazia. Para colher a cem, a trinta e a sessenta por um, o semeador lançou a semente. Em outras palavras, o que Jesus ensina é que se não lançarmos a semente do evangelho na terra dos corações, sejam qual for o seu tipo, jamais colheremos algum fruto para o Reino de Deus, nem dos corações que estão a nossa volta, nem do nosso próprio. Não é possível ter o campo pronto para a colheita sem antes lançar as sementes. Não se colhe coisa alguma onde nada foi semeado. Sem plantar, não há o que colher. Sem semear o evangelho, sem testemunho, sem evangelização, não haverá frutos a serem colhidos.

O segundo pressuposto de Jesus é que para colher muito, é preciso semear com abundância. Não há ninguém que colha uma tonelada de frutos tendo lançado apenas um punhado de sementes na terra. O semeador lançou muita semente. Saiu a semear sem perguntar a si mesmo qual daqueles terrenos produziria mais frutos. Ele apenas saiu e semeou. Cumpriu seu trabalho com fidelidade. E nem todas se tornaram em frutos. Mas a que caiu em terra boa frutificou de forma abundante. Se quisermos produzir muitos frutos para o Reino de Deus, precisamos lançar a semente com profusão e entusiasmo. Precisamos sair do comodismo e da vergonha para sermos testemunhas do evangelho. Semear o Evangelho de Deus nos corações sem um processo seletivo do terreno para indicar a si mesmo qual seria o mais frutífero. Precisamos semear com abundância. Se semearmos com economia, timidez e medo a boa semente do evangelho, teremos pouco ou nenhum fruto para o Reino de Deus.

Em um texto especial, Jesus diz: “Eu, porém, vos digo: erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa.” (João 4.35). Jesus utiliza a imagem de um grande campo de trigo que viceja para colheita. É a imagem do Reino de Deus florescendo, a verdadeira igreja se multiplicando, e dos frutos sendo colhidos. No entanto, nunca teremos frutos, nunca chegará a colheita se não começarmos a semear hoje. Por isso ele nos chama: Levanta os olhos! Olhe ao seu redor. O campo já foi arado. Lance a semente com abundância hoje para obter amanhã frutos com abundância.

Autor: Jônatas da Cunha Ferreira
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