Pensando a vida da igreja

Jônatas da Cunha Ferreira

Como igreja de Deus e corpo vivo de Cristo Jesus, nós jamais podemos estagnar e parar de avançar e crescer. As figuras utilizadas por Paulo para descrever a igreja em 1Coríntios 3, conforme sugere o comentarista bíblico Warren Wiersbe, retratam isso com precisão.

Naquele capítulo, Paulo descreve a igreja como uma família cujo alvo é a maturidade; como um campo cujo propósito é a quantidade; e como um edifício cuja finalidade é a qualidade. Em outras palavras, a igreja – que somos nós – não pode deixar de perseguir simultaneamente estes objetivos: maturidade, multiplicação e qualidade. Isso significa que, individualmente, precisamos cultivar alguns desejos como membros que somos, indispensáveis e essenciais, deste organismo que é a igreja – o Corpo de Cristo.

O primeiro é o desejo por quebrantamento verdadeiro no próprio coração, acompanhado do sincero reconhecimento de que temos muito para amadurecer e crescer na fé e conduta cristã. Ou seja, buscar ardentemente o crescimento pessoal no relacionamento com Deus, como recomendado pelo apóstolo Pedro (2Pe 3.18). Um anelo por conhecê-lo e experimentar seu poder de forma profunda e viva. Uma fome de santidade, desejando ser como Jesus. Um asco pelo pecado e uma ânsia por transbordar o fruto do Espírito, reconhecendo que é incapaz disso pela própria força e, por isso, almejando a graça de Cristo e dependendo completamente de Deus. Assim, começaremos uma longa jornada individual e comunitária para a maturidade cristã e para qualidade da igreja.

Além disso, deverá habitar em nós um desejo santo e sincero de ver a igreja crescer. Não por torpe ganância, mas pela alegria de levar a salvação e transformação do Evangelho a pessoas e famílias. Tal desejo nasce de um amor sincero por Deus e por seu Reino, desembocando em uma verdadeira compulsão por servir a Cristo e oferecer-se completamente a Ele sem barganhas, sem absolutamente nada a prescindir, por saber a quem se está oferecendo. Uma vontade de doar-se generosamente e ser instrumento do avanço do Reino, que gera um sentimento de corresponsabilidade na obra de Deus e um impulso irrefreável de participar integralmente da vida e missão da igreja – com tudo que somos e com tudo que temos. Enfim, o desejo de multiplicar a fé, fazendo novos discípulos de Jesus.

No entanto, esta visão orgânica da igreja como corpo de Cristo que não pode parar de avançar e crescer, conduz a uma segunda esfera necessária: a organização. Algumas das principais metáforas bíblicas utilizadas para definir a Igreja evidenciam a duas dimensões orgânicas e organizacionais: lavoura (orgânica) e edifício (organizacional) de Deus; templo (organizacional) do Espírito Santo (orgânica); corpo (organizacional) vivo (orgânica). Nosso desafio é conciliar essas duas realidades, sem ignorar a existência de alguma delas.

Isso significa que, ao mesmo tempo em que é importante que cada um deseje a maturidade e a multiplicação da fé em novos discípulos, é igualmente importante almejar a organização da comunidade. Organização que depende da solidez da nossa fé, da constância na participação de todos, da contribuição fiel de cada um, de uma liderança madura segundo a Escritura (que falaremos em breve noutro texto), entre outros.

Isso se destaca por ser este um momento decisivo e importante em nossa comunidade. Começamos a construção do templo, estamos crescendo e avançando em alguns ministérios. Mas não podemos parar ou estagnar! Por isso, tais desejos devem tomar o coração de todos. Estamos apenas no começo. Nos primeiro passos dessa jornada comunitária rumo a maturidade, em multiplicação e qualidade.

Autor: Jônatas da Cunha Ferreira
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2 comentários em “Pensando a vida da igreja

  1. Essa reflexão é bastante animadora e também desafiadora,mas é sobretudo um convite à participação, ao compromisso, dedicação e amor a Deus e à comunidade eclesial na qual estamos inseridos.Que o Senhor continue abençoando a vida dessa jovem-madura igreja, seus projetos e crescimento “quantiqualitativamente” para a Glória dele.

    1. Caro Reginaldo. Obrigado pela visita e comentário. Que sejamos desafiados sempre a servir no Reino por amor de nosso Senhor.

      Deus te abençoe.

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