A oração do Senhor #1

Jônatas da Cunha Ferreira

Não temos dúvidas de que a oração é parte essencial de nosso relacionamento com Deus. Através da oração sincera, nos achegamos ao Pai por meio de Jesus Cristo. Por isso, um grande teólogo disse: “A oração é, sem sombra de dúvidas, a mais elevada atividade da alma humana. O homem é melhor e mais nobre quando, de joelhos, ele se vê face a face com Deus” (D. Martyn Lloyd-Jones).

Jesus nos ensinou a orar. Mas não só nos ensinou a orar, como também nos deu seu exemplo de oração em submissão à vontade do Pai. É baseado em seus ensinos e seu exemplo que vemos verdades importantes sobre a oração. Na chamada “oração do Senhor” (ou oração modelo) que Jesus ensinou a seus discípulos enquanto proferia o sermão da montanha (Mt 6.5-15), por exemplo, percebemos Jesus nos deixando alguns princípios, entre eles o de que a oração deve conter sinceridade e profundidade (6.5-8).

Ele prefacia seu ensino sobre como devemos orar, mostrando como não devemos orar, dizendo: “não sereis como os hipócritas” (6.5). Suas palavras nos advertem a não olhar para pessoas religiosas como modelos de oração. Pessoas religiosas podem ter aparência de piedade, mas na verdade, oram apenas para serem vistos e admirados pelas pessoas ao redor como pessoas piedosas, justas ou de boa retórica. São orações que não nascem do coração. Orações que não falam com Deus, mas com os homens e que não expressam um relacionamento profundo com o Pai. São apenas palavras ao vento. Por isso, é enfático ao dizer que a oração religiosa é repugnante.

A oração cristã sincera – a oração que Deus ouve – é sempre humilde, simples e relacional. É profunda! Não é como entregar uma lista de compras do supermercado para Deus. É conversar com Deus sobre Ele e sobre a vida. Sobre necessidades, sentimentos, expectativas, alegrias, angústias, filhos, família, casamento, estudos, etc. Por isso, essa conversa não pode ser instantânea, decorada na hora das refeições. Ela requer tempo, silêncio, degustação. Requer crescer em profundidade e intimidade com Deus e conhecê-lo de verdade – não apenas do que falam a respeito Dele, mas do que você pode experimentar.

Além disso, outro princípio deixado por Jesus reside no fato de que a oração produz intimidade e temor a Deus (6.9-10). Quando ensina a oração modelo, suas palavras se movem, em primeiro lugar, do foco em Deus em direção às nossas necessidades. É uma oração que começa com Deus, com seu nome, seu Reino e sua glória. Por isso, ele se dirige a Deus simplesmente como “Pai”, nos ensinando a fazer o mesmo para estabelecer com Deus uma relação de proximidade. A ideia de um Deus alheio a nossas particularidades cai com o que Jesus nos ensina aqui. Ele mostra que precisamos estabelecer com Deus uma relação de intimidade. Por isso, alguém acertadamente disse: “Deus não quer servos submissos, mas filhos e filhas apaixonados por ele. Há um grande mistério nisso – um Deus apaixonado que procura pessoas apaixonadas.” (R. Paul Stevens)

A beleza e a necessidade de nos relacionarmos o Pai está no fato de que ao mesmo tempo em que Ele é extremamente grande, absoluto e perfeito em todos os seus atributos, Ele está perto de nós, perto de todos os que o invocam (Sl 145.18) e que cultivam um coração quebrantado (Sl 34.18), cuidando como um Pai amoroso cuida de seu filho.

A compreensão de Deus como Pai é a chave para a oração. Se entendermos e nos relacionarmos com Deus como Pai, então vamos falar com ele em qualquer momento do dia e sobre qualquer assunto porque sabemos que somos amados por Ele.

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