A mordomia cristã

Jônatas da Cunha Ferreira

Nos seus últimos momentos com os discípulos, Jesus ensinou-lhes sobre a consumação do Reino. E ele utiliza algumas parábolas para descrever diferentes aspectos deste evento. Entre elas, esta que é conhecida como a parábola dos talentos (Mt 25.14-30) que retrata um indivíduo, dono de propriedades, que está para sair em viagem. Antes, porém, ele confia seus bens à administração de seus empregados. Dois administram os bens que receberam com fidelidade, gerando ganhos. O último, no entanto, apenas escondeu o que lhe foi confiado. Na prestação de contas, os dois primeiros restituem frutiferamente seu patrão com os devidos lucros. O último, entretanto, apresenta uma desculpa para não entregar os rendimentos. Os primeiros são recompensados com o favor de seu Senhor. O último torna-se dele um devedor.

Esta parábola ilustra a nossa vida como discípulos de Jesus neste tempo em que aguardamos o seu retorno. O patrão da parábola é Jesus. A viagem é o tempo do Reino entre sua ascensão e a segunda vinda. Os servos são seus discípulos. Os talentos são os a eles recursos confiados. Aqui, aprendemos algumas lições importantes:

A primeira delas é que tudo que temos pertence ao Senhor (v.15). O talento a que Jesus se refere é uma medida de peso (que equivalia a mais ou menos 26Kg) e que era usada como unidade monetária. Um trabalhador comum precisaria de quase vinte anos para ajuntar um talento. O senhor delegou a administração dos seus recursos a seus servos. É exatamente isso o que Deus faz conosco. A ele pertencem todas as coisas. Tudo que temos e que somos. Isso inclui os bens, o tempo, os recursos naturais, o trabalho, as habilidades naturais, os dons espirituais, a experiência acumulada ao longo do tempo de vida e trabalho e a própria graça de Deus revelada no Evangelho. A nós só cabe administrar o que recebemos Dele para Sua própria glória. Nada é propriamente nosso. Tudo vem de Deus. Por isso, precisamos refletir sobre como temos administrado os recursos que Deus tem nos dado. Temos administrado nosso tempo para a glória de Deus? E nosso trabalho?

A segunda lição é que o Senhor quer sejamos fiéis na administração dos recursos que recebemos (v.21-23). O senhor na parábola louva os servos que deram frutos com os recursos que receberam da mesma maneira. O que lhe importava era uma lealdade integral. A essência desta parábola é esta: que cada um seja fiel no uso dos recursos e oportunidades que o Senhor concedeu. Ele não espera que você apenas preserve suas dádivas, mas que você seja frutífero com elas. É por isso que Paulo diz: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Coríntios 4:2).

Por fim, aprendemos que é pecado quando não usamos com fidelidade os dons que recebemos de Deus (v.24-25). O último servo apresenta desculpas e restitui a mesma quantia que havia recebido. Ele foi mau administrador do que havia recebido. Teve medo quando devia ser ousado. Pecou ao tornar-se mordomo infiel. Deus é o Senhor e proprietário supremo de todas as coisas. Administrar com zelo as dádivas que Dele recebemos requer investir naquilo que é do interesse da sua Glória e seu Reino. Se não o fizermos estaremos desonrando-o como Supremo doador.

Enfim, tudo pertence a Deus. Tudo que temos e somos é dádiva divina. Por isso, aqueles que amam a Deus e são gratos por suas bênçãos, devem sentir-se intimamente movidos a contribuir generosa e fielmente com seus talentos e dons, seus recursos financeiros, seu tempo, energia e disposição para causas que engrandeçam seu Nome.

Autor: Jônatas da Cunha Ferreira
Site: iptubarao.wordpress.com
Permissões: CC BY-NC-ND 3.0 • Você tem a liberdade de compartilhar (copiar, distribuir e transmitir a obra), desde que adicione as informações de autoria, não altere o conteúdo original e não utilize para fins comerciais.
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