Anelos

Rubem Amorese

Em 1989 fui a Lausanne 2, em Manila, Filipinas. Voltei comprometido: falando e escrevendo sobre “missão integral”. Já em 2010, não estive em Lausanne 3, na África do Sul. Encerra-se assim meu compromisso “formal” com o movimento. Porém, não com a missão da igreja. É assim que, sob essa ótica “congressualmente alienada”, faço meus votos para 2011. Na verdade não são votos, e sim pedidos. Talvez apenas anelos. Talvez apenas o desejo de querer. Eis minha singela ousadia.

Em 2011, gostaria de receber três “irmãos de confissão”; irmãos que me ouvissem e de quem eu também pudesse ouvir o coração. Pediria mais: doze pessoas que quisessem trilhar comigo o caminho com o qual passo a sonhar, a seguir.

Juntos, buscaríamos a leitura devocional, o conhecimento apaixonado, a obediência amorosa e a proclamação destemida da Palavra de Deus.

Juntos, nos estimularíamos à oração, entendida como relacionamento íntimo e amoroso com o “Pai-Nosso”.

Juntos, nos abriríamos aos dons espirituais; aqueles carismas e manifestações do Espírito que nos habilitam para sua obra (os ministérios) e os ofereceríamos à igreja, em obediência e anonimato (e gozaríamos da felicidade de ver o nosso cálice transbordar).

Juntos, escolheríamos a Deus como o centro de nossa devoção. Nas decisões, nos planos, nos negócios, na família, nos ministérios e no andar juntos. Já não pensaríamos tanto em nós mesmos, mas nele e em seu reino; e diríamos, com um fervor renovado: “faça-se a tua vontade”.

Juntos, buscaríamos mais sensibilidade ética; mais capacidade de perceber o erro e a injustiça, fossem acidentais, pessoais ou estruturais, e de lutar para repará-los, de acordo com o que estivesse ao nosso alcance.

Juntos, buscaríamos crescer na comunhão e no compromisso eclesiástico: na disponibilidade para as necessidades dos irmãos, na presença, na constância, na fidelidade, na paciência, no altruísmo e no serviço anônimo.

Juntos, buscaríamos uma diligência evangelística movida pelo amor e não apenas por um “ide”; diligência essa que rompe fronteiras, que fala, que exorta, que sofre, que chama, que abre a Bíblia e que testemunha.

Juntos, certamente encontraríamos uma nova alegria no evangelho; um novo cântico, um novo compromisso, uma nova sensibilidade para o mover do Espírito de Deus. Um novo fôlego de afeições e confiança, em Cristo, que leva à adoração, à ousadia espiritual, ao dispêndio de tempo na presença de Deus, à fé bíblica, à confissão de pecados, à misericórdia, ao perdão sacrificial, à superação de limitações pessoais e relacionais.
Juntos, buscaríamos com avidez aprender sobre as múltiplas dimensões da nossa missão na “Jerusalém” em que vivemos.

E então, com aqueles que o Pai nos acrescentasse, buscaríamos crescer em maturidade, com fé e humildade.

Com singela alegria e gratidão, suportaríamos com paciência as tribulações, sabendo que tal experiência, ao final, produzirá em nós boa esperança.

Estarei sonhando demais? Quero mesmo tudo isso? De uma coisa estou certo: gostaria de querer. Talvez essa tímida vontade, nas mãos de Deus, seja suficiente.

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