Vaidade de vaidades…

Jônatas da Cunha Ferreira

Estamos no começo de um novo ano. Mais um ciclo para desejar o que não se tem, para buscar o que não se conseguiu, e fazer o que não se fez. Criamos novas metas, direcionamos sonhos, pensamos novas oportunidades… enfim! Renovamos as forças para continuar a “correr atrás”. Mas, “correr atrás” de que? Salomão, depois de experimentar, fazer e conquistar tudo que alguém poderia desejar em sua época, reflete sobre a vida em Eclesiastes e faz um alerta quanto a natureza e essência dos alvos e oportunidades que procuramos. Para ele, muito do que compõe nossos objetivos de vida são “correr atrás de nada”. Ele mesmo diz: “sonhei, busquei, corri, adquiri, edifiquei, plantei, produzi, tive mais do que todos antes de mim, mas vi que isso tudo era vaidade… era correr atrás do vento” (2.1-11). Por isso, ele alerta contra a vaidade de, pelo menos, duas naturezas distintas que, especialmente, nos assediam.

Primeiro ele recomenda cuidado com o que podemos chamar de “vaidade de ter” (vv.1-11). É aquela inclinação que temos para depositar todas as energias em busca de bens, imaginando que sejam o ponto alto da alegria ou a fonte de esperança e sentido para existência. Por isso, é preciso cuidar para não se ter uma visão limitada da vida, restrita apenas a comprar, construir, ter e ostentar. Todo objeto com esta essência, tem valor transitório. Não é passível de retenção. O ladrão poderá roubar ou a traça corroer e logo acabará. Nisto, Salomão percebeu que construir grande patrimônio era um esforço inútil e sem sentido, como “correr atrás do vento”.

Assim, quando sonharmos com um emprego melhor, com uma promoção, com um bom negócio e com bens que resultem deste trabalho – suado, é verdade –  tenhamos o cuidado de lembrar que nossa vida não se resume a isso. Na verdade, “nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Por isso, devemos voltar sempre ao exercício que Paulo recomenda aos Colossenses: “buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (3.1-3).

Salomão também recomenda cuidado com a “vaidade de ser” (2.12-17), que não reside apenas no desejo de se ocupar um cargo importante ou possuir um título. Ela se encontra no orgulho de ser o que se é. Está na vida centrada em si mesma. E é aqui que muitos tem caído. Gente bem intencionada, tem dito: “o importante não é o que se tem, mas o que se é”. Há algo verdadeiro nisso. No entanto, há uma confusão entre o “ser” – na essência – e “o que parece ser” – apenas externamente. Por isso, tantos tem valorizado, não o caráter e a dignidade, mas a reputação, a fama e o nome.

Salomão foi o mais sábio de todos os homens. Sua inteligência e percepção era “maior do que a de todos os do Oriente” (2Rs 4.30). Ele sabia que a sabedoria é melhor que a insensatez. No entanto, também viu que sua busca pelo saber não lhe diferenciava do tolo: “como acontece ao estulto, assim me sucede a mim; por que, pois, busquei eu mais a sabedoria?” (2.15).

Portanto, não seja nosso desejo o de exaltação sobre os outros, mas o de servir com coração humilde. Jesus diz não àqueles que anseiam ser, que querem sentar-se à direita e à esquerda, que almejam ter orgulho de si mesmos. Ele diz: não o maior, mas o menor. Como adverte o poeta: “O coração orgulhoso é nau perdida no mar, não tem destino nem rumo, nem pra onde ir nem chegar, é quase que um desencontro que nunca vai se encontrar”.

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