Em que sua vida está centrada?

Jônatas da Cunha Ferreira

A primeira obrigação do inteligente é reiterar o óbvio – George Orwell

Todos vivemos centrados em alguma coisa. Mas será que estamos vivendo pelo que é imprescindível? É possível fazer um diagnóstico simples para verificar sobre que base está nossa vida. Basta perguntar a si mesmo: o que frequentemente ocupa minha mente quando tenho a liberdade de pensar o que quiser? Educação de filhos, compras, trabalho, parafernálias eletrônicas? Aquilo que frequentemente ocupa nossa mente provavelmente é aquilo em que nossa vida está centrada.

Quando olhamos para o apóstolo Paulo, vemos um homem radicalmente centrado em Deus. A partir de suas cartas, percebemos que a vida centrada em Deus é aquela que está centrada na verdade do evangelho. Ele é o imprescindível, a realidade fundamental sobre a qual Paulo viveu e sobre a qual também devemos viver. Em sua primeira carta aos coríntios, ele reitera o evangelho que havia anunciado, mostrando-o como aquilo que está antes de tudo: “Venho lembrar-vos do Evangelho… antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras…” (1Co 15.1-4). Paulo fala sobre alegria, sofrimento, ética, comunhão, casamento, trabalho, política e diversos outros assuntos, mas sempre vinculando-os à cruz.

Isso ressalta o fato de que embora exista uma diversidade vocações, dons e atividades com as quais podemos estar envolvidos, todas elas devem ser norteadas por apenas uma verdade transcendente: Que Cristo morreu pelos nossos pecados. “Só uma coisa pode  ser, antes de tudo, importante para cada um de nós. E não pode ser nada além do Evangelho” (C. J. Mahaney).

Entretanto, viver centrado no evangelho não é automático. Depende, primeiro, de lembrar que somos por natureza pecadores. Paulo constantemente se lembrava disso: “a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente” (1Tm 1.13). Temos um coração inclinado para o mal desde o nascimento. Quando estamos entregues ao  próprio coração, rejeitamos e odiamos a Deus. Apenas quando nos lembramos dessa realidade, compreendemos a dimensão do que significou Cristo morrer pelos nossos pecados. Ele morreu por causa da nossa rebeldia.

Em segundo lugar, depende de lembrar-se da ira justa de Deus contra o pecado. Sendo santo e perfeito Ele não poderia fazer outra coisa senão punir a rebeldia, da mesma forma que um pai justo que não pode deixar de castigar a desobediência do filho, mesmo que isso pareça penoso aos seus olhos. Paulo escreveu: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens” (Rm 1.18). Somente quando encaramos com seriedade a ira de Deus contra o pecado, começamos a entender o que significa a nossa salvação.

Além disso, depende de lembrar que alcançamos misericórdia e que por meio da Cruz de Cristo somos salvos da ira. Paulo mantém na mente o fato de que alcançou a misericórdia: “a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia” (1Tm 1.13).Deus tem de punir o pecado. Mas por causa do seu grande amor, deu seu único Filho que voluntariamente se entregou para receber na cruz a punição por nossos erros. Esse é o evangelho.

Boas causas podem tomar nosso tempo e foco. No entanto, nada pode substituir o evangelho em nossa vida. Sem ele, nossa alma morrerá à míngua num mundo cheio de conforto. Sua vida está radicalmente centrada no Evangelho? Em que ela está centrada?

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