Escolhendo servir a Deus #2

Jônatas da Cunha Ferreira

Na última reflexão, vimos que Josué, no seu discurso de despedida (24.14-28), desafia o povo de Israel a servir a Deus e assumir com Ele um compromisso de todo coração, alma, força e entendimento. No desafio e na escolha que fez para si, Josué deixou claro que servir a Deus é, sem dúvida, a melhor escolha, por Deus ser quem é e pelo que fez e faz por nós. Todavia, no mesmo discurso, fica evidente que esta escolha não é – e nem poderia ser – uma escolha sem consequências.

Primeiro porque servir a Deus é opção que envolve toda a família: “Eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (24.15b). Essa foi a decisão pessoal de Josué que incluiu diretamente sua parentela. A escolha de servir a Deus reverbera sobre sua casa. A família é, ao mesmo tempo, envolvida pelo compromisso e atingida pela bênção de Deus que se estende para além daquele que se compromete. É assim porque a Aliança que envolve o relacionamento de Deus com seu povo não está restrita apenas a indivíduos, mas se estende para a toda a família. É através dela que Deus ordena a redenção (Gênesis 3.15). É o meio pelo qual começamos a entender o relacionamento que nós temos com Ele. Como bradou Pedro à multidão que o ouvia: “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2.39).

Além disso, é uma escolha precisa ser assumida publicamente. Josué registra o caráter aberto e manifesto do compromisso. Havia testemunhas e a promessa do povo ficaria registrada para a posteridade (24.23-28). Assim, escolher servir a Deus não é tomar parte de uma sociedade secreta, mas é estar no meio do mundo, declarando a todos sua opção em favor do Reino de Deus. “Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.” (Mateus 5.15). É um compromisso de sujeição para uma vida transformada. É permanecer em Cristo para tornar-se capaz de ajudar aqueles que ainda se encontram afastados dele. É voltar-se para fora de seus arraiais, limites e fronteiras testemunhando à pessoas, grupos e nações da grandeza de Deus. “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas” (1Crônicas 16.24).

Por fim, servir a Deus é uma escolha que não tem volta. Não se pode olhar para trás. A advertência é clara: “Se deixardes o SENHOR e servirdes a deuses estranhos, então, se voltará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito bem” (24.20). Optar pelo Senhor é estar ciente não só das promessas de bênçãos que Deus oferece, mas também dos percalços que naturalmente surgirão no caminho do discipulado. É comprometer-se até o último fio de cabelo e mergulhar em um relacionamento com Deus que requer exclusividade e fidelidade: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3). Na verdade, ninguém pode servir a dois senhores.

Assim, comprometer-se com Deus é não ter um coração dividido, como se conta de um homem de coração dobre que morava nas imediações de dois estados em litígio durante a guerra civil americana. Ele usava jaqueta azul (uniforme dos soldados da União) e calça cinzenta (uniforme dos soldados confederados). Isso deu certo por um tempo. Contudo, em uma dura batalha, os soldados da União o alvejaram nas pernas e os confederados o atingiram no peito. Foi um homem dividido em sua lealdade. Não fez sua escolha para não assumir suas consequências. Não era nem quente nem frio (Apocalipse 3.15-16). E em um coração dividido jamais o Senhor habitará. Ele o quer todo para si.

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