Nos detalhes da vida…

Jônatas da Cunha Ferreira

Ao conversar com as pessoas e ao olhar para mim mesmo, percebo como nem sempre é fácil reconhecer diariamente o cuidado de Deus por nós, passando, às vezes, longe de nossa consciência o fato de que Deus nos supre integralmente e em cada detalhe. Meditando sobre isso, veio-me à mente o Salmo 23. A riqueza da poesia na metáfora do pastor e das ovelhas proporcionam consolo e encorajamento ao descrever o cuidado integral de Deus: “O Senhor é meu pastor; nada me faltará” (v.1). Da mesma forma que o pastor cuida e supre necessidades de alimento, água e segurança de suas ovelhas, Deus amorosamente cuida de nós, permanecendo atento às nossas necessidades. Este Salmo é um retrato desse paterno e completo cuidado que pode ser percebido em traços tão vivos em nosso cotidiano.

Cuidado que começa na esfera material. O próprio Davi celebra o favor de Deus em outro Salmo: “SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. (…) preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura” (30.2-3). Davi estava enfrentando alguma enfermidade ou mal que o teria levado a pensar na morte como certa. Certamente, um sofrimento físico de grandes proporções, já que compara a restauração física à ressurreição. Ele percebe o cuidado de Deus em preservar sua vida.

Este cuidado avança além dos limites físicos, alcançando também a esfera emocional. Davi estende sua reflexão a outro Salmo: “Busquei o SENHOR, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores” (34.4). Ele escreveu estes versos em horas certamente angustiantes, enquanto fugia da espada de Saul. Ele reconhece o conforto vindo de Deus em um momento de ansiedade e pavor.

Ele ainda expressa o cuidado que alcança o aspecto espiritual, como completa no Salmo 16: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (v.11). Este verso aponta para Jesus (At 2.22-25; 13.35), sobre quem a morte não teve poder, e para a vida eterna concedida a todos os que Nele são libertados do domínio do pecado e da morte. Davi percebe e crê no cuidado  integral de Deus por meio da promessa de vida eterna aos que Nele confiam.

E tudo isso também precisamos perceber nos detalhes de cada dia: é Ele quem cuida de nós. Ele está presente nas pequenas coisas, fornecendo o suprimento necessário, mesmo nos eventos corriqueiros como o de saborear uma suave refeição em companhia da família ou na visão da flor a desabrochar na chegada da primavera. Ele soberanamente preserva nossa vida e saúde – mesmo com seus altos e baixos – e cuida para que pela manhã haja pão sobre a mesa. Ele está atento a nossas angústias, ansiedades e conflitos do coração e ao olhar para seu poder somos consolados. Ele nos compreende e nos aceita como somos, amando-nos e cuidando de nós quando ainda espiritualmente falidos.

Lembrar-se do cuidado de Deus e reconhecê-lo em pequenos detalhes da vida dá lugar a um coração produtivamente grato. E isso é uma necessidade para manter o vigor e a saúde espiritual. Entretanto, nem sempre somos capazes de notar e, consequentemente, de agradecer. Às vezes porque as circunstâncias se levantam como o vale da sombra da morte do salmista e insistem em tentar convencer-nos de que Deus está distante. Em outras tantas é apenas pura falta de atenção, contra a qual Moisés advertiu às portas da terra prometida: “Guarda-te não te esqueças do Senhor, teu Deus… para que não se eleve o teu coração e te esqueças do Senhor, teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão” (Dt 8.11-20).

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