Testemunho da alegria

Jônatas da Cunha Ferreira

O Salmo 96 pinta um quadro da relação entre a adoração e a proclamação, ao dizer: “Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todas as terras. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; proclamai a sua salvação, dia após dia. Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas” (vv.1-3). Para o salmista, a adoração verdadeira é base e ponto de partida para se testemunhar sincera e eficazmente das grandezas de Deus.

Ao falar sobre o “cântico novo”, o salmista não se refere  apenas a novas composições, mas a uma resposta à altura do frescor das suas misericórdias que se renovam a cada manhã. Em outras palavras, a adoração verdadeira é aquele tipo de louvor que nasce naturalmente da experiência da alegria em Deus e em sua glória e não apenas em seus benefícios; é ter prazer em sua presença, desejando-a como o sedento busca pela água; é apaixonar-se por Deus que é apaixonado por nós e digno de receber a glória pelos séculos dos séculos. Como disse C. S. Lewis: “O fato mais óbvio sobre o louvor, porém – seja de Deus, seja de qualquer coisa – estranhamente me escapara. Eu o considerava um tipo de elogio, aprovação ou honra. Jamais eu percebera que toda alegria transborda espontaneamente em louvor. (…) O mundo ressoa de louvor: apaixonados louvam suas amadas; leitores seu poeta favorito; caminhantes, a paisagem… Gostamos de louvar o que nos alegra!”.

Assim, nada de desanimado ou abatido é próprio da adoração a Deus. Não existe louvor triste, adoração infeliz porque adoramos verdadeiramente apenas aquilo que nos alegra e dá prazer. E é exatamente por isso que a paixão por Deus precede a proclamação. Ninguém recomenda o que não aprecia – e se faz, nunca é sincero e suficientemente convincente. Aqueles que se alegram em Deus, espontaneamente convidarão outros a se alegrarem também e ficarem impressionados com o Criador infinito e pessoal, soberano e amoroso. A dificuldade de testemunhar das grandezas de Deus é, na verdade um sinal de que estamos tendo dificuldades de nos alegrarmos em Deus. Deus é mais glorificado em nós quanto mais nos alegramos nele!

O salmista não para. Ele segue dizendo: “Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios” (vv-7-8). Aqui a descrição é de que aqueles que se alegram no Rei e na glória do Rei, também se alegram em servi-lo no seu Reino, colocando sua energia, sua força, seu tempo, suas habilidades e seus bens à serviço do Rei. A alegria em Deus produz alegria no seu Reino.

Há muitos que se dizem cristãos, mas são poucos os que realmente lutam pelo seu Reino. O que falta? Coração! Alegria em Deus e prazer na sua presença! Onde a paixão por Deus é fraca, o zelo pelo seu reino será fraco. Como disse o teólogo Andrew Murray: “O entusiasmo pelo reino está esquecido, porque há muito pouco entusiasmo pelo Rei”. Assim, nosso grande pecado não é ter falhado em trabalhar para Deus a fim de aumentar sua glória, mas falhamos em alegrar-nos em Deus para refletir a sua glória!

Por isso, se você não fizer o máximo para mostrar aos outros a luz da Glória de Deus em Jesus Cristo, estará, na realidade, dizendo: “Não é infinitamente valioso, nem absolutamente necessário, nem suficientemente grande para satisfazer as necessidades mais profundas do coração humano”. Assim, não é a compaixão pelos homens que primeiro nos motiva a compartilhar nossa fé; é, acima de tudo, a satisfação e alegria em Deus. Ele é valioso para você?

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