Livres da Angústia

Jônatas da Cunha Ferreira

“Quem não experimentou o sofrimento, não experimentou a alegria” (Elce Cunha)

O “até quando?” é uma pergunta universal e histórica. Todos a fazem desde os tempos remotos até os dias de hoje, especialmente em meio a dor. Davi a fez em um momento de angústia: “Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?” (Salmo 13.1-2).

A angústia era intensa e já lhe era insuportável. Um turbilhão de pensamentos lhe tirava o sono. A aflição do coração lhe pesava a ponto de imaginar que ser Deus recusava ajudar. Desejava o alívio, a liberdade, o ponto final do “abafamento” da alma diante da revolta e perseguição de seu próprio filho Absalão (2Samuel 15–19).

No sorvedouro da dor, Davi soube expressar suas angústias e submetê-las a Deus. No mesmo poema, ele “briga” e canta louvores ao Senhor (Salmo 13.5-6). Um homem angustiado e aflito. Todavia, soube deixar que Deus respondesse a suas inquietações. Foi por isso que ele encontrou a liberdade da angústia. Na dor, se submeteu à Graça de Deus, sendo autêntico (13.1-2). Sentia-se abandonado. Sozinho. Na aflição solitária de sua alma, expressou o que sentia. “Brigou” com Deus, abriu o coração e derramou diante Dele a sua dor.

Para nos livrarmos da angústia, precisamos aprender a “desabafar” a alma com autenticidade e apresentar angústias, dores, sofrimentos e aflições a Deus. Não precisamos – nem mesmo podemos – esconder Dele o que sentimos. Não podemos nos camuflar, porque Ele nos conhece melhor que qualquer um. Se não aprendermos a apresentar a nossa angústia a Deus, nossa alma ficará abarrotada demais e explodirá. O “desabafo” é um cano de descarga, pelo qual saem nossas tristezas.

Além disso, Davi se submeteu à Graça de Deus, sabendo que apenas Ele poderia livrá-lo das sombras que rondavam seu coração. Assim, ele recorre ao Pai, dizendo: “Atenta para mim, responde-me, Senhor, Deus meu! Ilumina-me os olhos, para que eu não durma o sono da morte; para que não diga o meu inimigo: Prevaleci contra ele; e não se regozijem os meus adversários, vindo eu a vacilar” (Salmo 13.3-4).

Deus estava atento a suas necessidades. Não apenas a segurança física diante da perseguição e cobiça de Absalão, mas também o conforto do seu coração diante do medo e da ansiedade que sentia. Igualmente, Deus está atento a nossas aflições e conflitos do coração. Por isso, Ele diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra” (Salmo 46.10). Desacelere sua mente. Silencie a alma e confie no cuidado do Pai, porque é Ele quem cuida de nós.

Davi confiou! O que começou com angústia, terminou com adoração. O mesmo sofrido salmista confessa: “No tocante a mim, confio na tua graça; regozije-se o meu coração na tua salvação. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem” (Salmo 13.5-6). Se não adorarmos a Deus na angústia pelo bem que nos tem feito, nosso coração se endurece e nos tornamos incrédulos, mal-agradecidos e até mesmo perversos. Na adoração, mantemos o coração aberto para renovar a confiança em Deus. E o resultado é alegria transbordante.

Enfim! Momentos de angústia são oportunidades de atuação da Graça de Deus para o aperfeiçoamento da fé em submissão. Por isso, nem sempre Ele responde ao nosso “até quando?”. Mas sempre demonstra o seu cuidado. E isso deveria nos bastar!

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