A Graça para obedecer

Jônatas da Cunha Ferreira

Obediência é um dos temas centrais da espiritualidade Cristã. A aliança de relacionamento que Deus estabelece com homem é permeada pela necessidade de obedecer as suas leis e de andar segundo a sua vontade (Ex 19.5-6).

Entretanto, temos um coração ainda afetado pelos efeitos do pecado do egoísmo, do orgulho, da rebeldia e do desejo de independência, e não somos capazes de obedecê-lo perfeitamente. Por isso, Deus nos deu a sua Graça, por meio da cruz de seu Filho Jesus Cristo. A obediência verdadeira, sincera e agradável a Deus é, na verdade e essencialmente, um impulso da Graça. É ela que nos dá a condição de sermos obedientes em nossa nova vida. É a Graça que produz o desejo real de obedecê-lo, apesar de um coração ainda pecador.

Os apóstolos Pedro e João, deixaram transparecer isso em suas vidas (Atos 4.1-22). A igreja estava crescendo em Jerusalém e as boas novas do Evangelho se espalhavam por toda parte. A igreja desfrutava de comunhão intensa e as primeiras perseguições começaram a surgir. Pedro e João foram presos porque pregavam o Evangelho e foram levados às autoridades religiosas de Jerusalém (4.1-4). Estes os proibiram de continuar a pregar e ensinar em nome de Jesus (4.18).

Entretanto, a Graça de Deus em Cristo penetrou poderosamente em seus corações, produzindo os impulsos encantadores, fascinantes e irresistíveis da obediência a Deus. Ela fez habitar em suas almas o temor de Deus e não o temor de homens. Por isso, “não podiam deixar de falar das coisas que viram e ouviram” (4.19-20).

E isso produziu efeitos notórios. Primeiro, a Graça de Deus permitiu que eles se tornassem dependentes do Espírito diante das ameaças, permanecendo firmes no caminho da obediência. Pedro e João eram pescadores e, provavelmente, homens de poucas letras. Mas, estavam cheios do Espírito Santo e fizeram uma defesa brilhante de sua fé e pregação diante de doutores da Lei (4.8).

Se a Graça de Deus em Cristo de fato habita o nosso coração, ela produzirá em nós os impulsos irresistíveis na direção da obediência a Deus. E para isso, nos fará dependentes de seu Espírito para que a obediência seja possível em todas as situações desafiadoras que a cultura desprendida, agitada, instantânea, superficial, lasciva, gananciosa e permissiva de nossa época nos apresentam.

Sem o Espírito de Deus e suas poderosas influências em nosso coração não teremos forças para sequer manter vivo em nosso coração o desejo de obedecer. Nem tão pouco poderemos avançar em direção a uma obediência completa. Sobre isso, R. A. Torrey nos disse: “A razão pela qual há crentes fracos é que estes buscam poder em si mesmos em vez de buscá-lo no Espírito Santo”.

A Graça também impulsionou Pedro e João a amarem a Deus sobre todas as coisas. Um amor que os conduziu naturalmente ao desejo de obedecê-lo de todo coração. Na verdade, impulsos irresistíveis de obedecer a Deus são evidências infalíveis e necessárias de um sincero amor a Ele. Ninguém é capaz de amar a Deus sem que deseje andar em sua vontade. Foi Aristóteles que disse que “o ímpio obedecer por temor, o nobre o faz por amor”.

Obedecer a Deus é um impulso invencível e necessário e da sua Graça. Ela nos leva a depender de Deus e a amá-lo sobre todas as coisas. E isso apruma nossos passos no caminho da obediência. Agostinho entendeu isso e disse: “Concedei-me o que exigis, e, a seguir, exigi de mim o que quiserdes”.

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