Seguindo Jesus

Jônatas e Fernanda Cunha

Jesus caminhava pela praia ao longo do mar da Galileia. Ele havia acabado de sair de uma casa incomodamente cheia de gente. Por isso, não nos surpreende o fato de que seus passos tenham se dirigido para as refrescantes brisas da praia. Ali, à beira-mar, ele se encontra com Levi. (Lucas 5.27-28).

Levi era um publicano, um coletor de impostos a serviço do Império Romano – e é provável que estivesse assentado próximo a coletoria, onde eram recolhidas as tarifas sobre toda mercadoria que transitava pela região. Por isso, ele não era alguém querido por seus compatriotas judeus. Como todos os publicanos, era considerado traidor e ladrão. Era odiado de todos. Visto, na verdade, como um pecador da pior espécie. Entretanto, foi este homem que Jesus chamou para ser seu discípulo, e ter com ele um relacionamento pessoal, íntimo e profundo (5.27).

Lendo este episódio nos evangelhos, chamou-nos a atenção a forma como Levi responde ao convite de Jesus Cristo. Lucas narra essa resposta sucintamente, mas com grande ênfase, dizendo: “Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu” (5.28).

Levi atendeu prontamente ao chamado de Jesus para o discipulado. Levantou-se imediatamente e se colocou a caminhar atrás do carpinteiro de Nazaré. Ele não pensou duas vezes. Percebeu a urgência do convite e não deixou para depois. Não esperou, não criou dificuldades nem deu desculpas. Apenas se pôs de pé e foi segui-lo de perto, dia após dia.

Isso nos leva a crer que para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, o nosso andar com Ele precisar ser “agora e sempre”. Não dá para deixar para depois, nem segui-lo dia sim, dia não ou só nos fins de semana. Ser um discípulo é conviver diariamente com Ele e desenvolver um relacionamento pessoal e profundo, o que requer investimento de tempo para conversar, ouvir e aprender.

É segui-lo além das fronteiras dos templos, das programações e reuniões religiosas, entendendo que a espiritualidade não é apenas uma área ou um compartimento da vida, mas a vida completa. O relacionamento com Jesus envolve a vida em família, o casamento, as refeições, o sono, o sexo, as conquistas, o trabalho, o chamado, o fim, a morte… e isso não pode ser ignorado.

Além disso, é notável a ênfase na renúncia de Levi no momento em que atendeu ao chamado de Cristo. Ele “deixando tudo, o seguiu” (5.28). Não deixou apenas algumas coisas, mas tudo! Toda sua velha vida e velhas práticas. Abandonou a cobrança de impostos e o enriquecimento ilícito que era comum entre publicanos. Trocou sua posição privilegiada diante do Império pela riqueza eterna para sua alma. A partir daquele momento suas prioridades mudaram radicalmente.

Seguir Jesus é andar por um caminho estreito de renúncias. A começar pelo “ego” e pelos desejos egoístas de felicidade. É por isso que Jesus disse a seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.” (Mateus 16.24-25). Renúncia do orgulho, da altivez, da soberba, da impureza, da lascívia, das inimizades, iras, discórdias e de tudo mais que não nos transforme à semelhança de Jesus.

Assim, no caminho do discipulado, é preciso “levantar e deixar”. Viver a intensidade com Cristo e a profundidade da transformação do coração. Valorizar prioridades diferentes. Poder, sucesso, riqueza, beleza não são as primeiras coisas. “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16.27).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s