Pedagogia do Abraço

Jônatas da Cunha Ferreira

Um simples abraço pode fazer uma diferença enorme na vida de alguém. Existe um movimento ao redor do mundo chamado “Free Hugs” (abraços grátis), cujo objetivo é fazer com que as pessoas se sintam melhores ao receberem um abraço. Segundo o site do movimento, o abraço diminui a pressão sanguínea, a frequência dos batimentos cardíacos e o nível de hormônios ligados ao stress.

Não conheço os fundamentos científicos destes benefícios do abraço, mas tenho certeza de que ele é terapêutico. Um abraço sincero faz um bem danado. Se não faz para o corpo, certamente faz para a alma. E, por isso, ele é espiritualmente pedagógico.

No abraço aprendemos a quebrar barreiras para o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis (Lc 15.20). Veja o exemplo do filho pródigo. Ele criou uma colossal distância de seu pai, quando o considerou como morto, pedindo sua parte na herança. Depois de desperdiçar tudo e cair na miséria, apenas conseguiu imaginar que seu pai TALVEZ o aceitasse como um escravo. Entretanto, quando volta para casa, é recebido com um compassivo abraço de um pai amoroso, dando início a restauração.

Quando nos abraçamos com sinceridade e afeto, encurtamos as distâncias que existem entre nós; vencemos barreiras que nós mesmos criamos com os outros; transpomos abismos de timidez, desinteresse, vergonha e medo, abrindo caminho para o desenvolvimento de relacionamentos saudáveis.

No abraço aprendemos a reconciliação (Gn 33.4). Jacó e Esaú eram irmãos. Entretanto, criou-se entre eles um ódio mortal quando Jacó roubou a bênção de seu irmão. No reencontro, muitos anos depois, o abraço sincero quebrou a barreira do rancor, do ódio e do medo, abrindo caminho para a reconciliação. O abraço que sela o perdão é remédio para alma. Ele reconecta pessoas, abranda a ira, quebranta o coração endurecido, coopera na restauração de relacionamentos quebrados. Quantas vezes um abraço não resolve uma discussão conjugal ou um desentendimentos entre amigos?

No abraço aprendemos o acolhimento (Gn 29.13). O abraço de Labão em Jacó, seu sobrinho, é a recepção calorosa de alguém que chegava a uma terra estranha. Quando abraçamos com carinho as pessoas que vem até nós, criamos um ambiente seguro de acolhimento da mesma forma com que Deus nos acolheu em Jesus Cristo.

No abraço aprendemos a sermos sensíveis às pessoas (At 20.37). Paulo, em sua despedida na igreja de Éfeso, sabendo que não mais voltaria a vê-los, em meio a lágrimas, os abraça afetuosamente. Quando nos abraçamos com sinceridade, rompemos com a cultura de solidão da sociedade moderna – cuja mentalidade é de “cada um na sua” – para desenvolver relacionamentos profundos.

Abraçando, aprendemos a não ser indiferentes; a não passar pelos outros de largo com desprezo ou soberba como fizeram os religiosos da parábola do bom samaritano (Lc 10.25). Aprendemos que a Igreja é a família de Deus, onde temos o mesmo Pai e somos todos irmãos, e não um clube, onde cada um paga sua mensalidade e vive isoladamente, ou um supermercado, onde eu vou procurar aquilo que gosto.

O abraço nos aproxima e encoraja a orar e chorar juntos, compartilhando os fardos da caminhada. O abraço nos estimula ao amor fraternal e à compaixão; nos impulsiona a valorizar as pessoas mais que as coisas; alimenta nossa comunhão como família de Deus, ajudando-nos a perceber que não somos “ilhas”, mas que precisamos uns dos outros. Você já deu um abraço hoje?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s