A alternativa é entre o cumprimento voluntário e o cumprimento doloroso da vontade de Deus

Ultimato

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O Salmo que Paulo chama acertadamente de Salmo segundo (At 13.33) denuncia a histórica hostilidade humana contra Deus: “Os reis da terra tomam posição e os governantes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu ungido, e dizem: ‘Façamos em pedaços as suas correntes, lancemos de nós as suas algemas’ ” (Sl 2.1-3).

As palavras podem parecer figura de retórica, mas há muita coincidência entre elas e o que tem ocorrido no passado recente e no presente. A conspiração existe. Manifesta-se tanto aberta como veladamente. Porém, é tão infantil lutar contra Deus que “o Senhor põe-se a rir e caçoa deles” (v. 4).

A tranquilidade de Deus baseia-se no triunfo do bem sobre o mal, da verdade sobre a mentira, do eterno sobre o temporal, do real sobre o aparente, do vinho novo sobre o vinho velho, do que ele diz sobre o “disse-que-me-disse” dos homens, do conteúdo sobre o invólucro. A tranquilidade de Deus firma-se também em sua vontade, sua soberania, seu poder e seus desígnios.

Deus não se perturba com a rebelião dos homens porque a liberdade deles, afinal, é relativa. A alternativa humana, diz Adauto Araújo Dourado, “é entre o cumprimento voluntário e alegre e o cumprimento obrigatório e doloroso da vontade de Deus”.

Finalmente, a tranquilidade de Deus apoia-se ainda na divisão do tempo, pois o salmista também diz que o Senhor “Em sua ira os repreende e em seu furor os aterroriza” (v. 5). A escatologia é a parte da teologia que abarca os acontecimentos finais. Jesus diz que há “tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (At 1.7). Ao se cumprirem, esses tempos trarão a resposta à oração que se faz há quase dois milênios: “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). “Para nossa felicidade, e para a felicidade de todos os homens”, afirmou a filha de Josef Stalin, a russa Svetlana Alliluyeva, que, em 1962, se filiou à Igreja Ortodoxa, “o Eterno é indestrutível”.

Já que a indisposição e a cruzada contra Deus não têm nenhum futuro, os três últimos versículos do Salmo segundo convidam os tais “reis da terra” a retroceder em seus propósitos e assumir uma atitude diferente, não de revolta. O clímax determinado pelo próprio Deus não será alterado se as autoridades da terra atenderem ou deixarem de atender o convite formulado. O apelo é mais uma demonstração da graça de Deus, “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.4).

Vale lembrar a famosa declaração de Abraham Lincoln, um dos “reis da terra”: “Não me importa que Deus não esteja ao meu lado. O que espero ardentemente é que eu me encontre ao lado dele”.

Dá para perceber que o poema do Salmo segundo foi escrito para corrigir a rota dos que tramam em vão contra a existência e a supremacia de Deus.

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