Uma abordagem interessante sobre o dízimo

Jim Killan | Tradução — Bianca Liz Guedes de Araújo

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Como pais de três filhos em idade universitária, minha esposa e eu temos agora um ritual anual. Nós fazemos o imposto de renda e então preenchemos um documento para solicitar ao governo federal uma ajuda para nossos filhos estudantes. Este procedimento nos mostra exatamente quanto de ajuda federal nossos filhos não vão receber no próximo ano.

Uma vez que você informa seus rendimentos e impostos pagos, o governo devolve a informação chamada “Contribuição Familiar Esperada”. Este cálculo produziu em nós uma surpresa e tanto no primeiro ano em que fizemos.

“Olhe este número”, eu disse. “É quase exatamente a quantidade que nós dizimamos no ano passado.”

Nós dois dissemos “hummmm”, e rapidamente rejeitamos o pensamento.

Dar o dízimo tem sido parte de nosso casamento desde o começo. Nós não mudaríamos isso, mas durante 24 anos, eu estaria mentindo se dissesse que nossa atitude com relação ao dízimo foi sempre nobre. Nós tanto experimentamos quanto testemunhamos algumas abordagens interessantes ao dizimar. Algumas foram pequenos escorregões insignificantes. Outras, foram deturpações sérias.

A lista é mais menos o seguinte:

Dizimar como um suborno a Deus. Nós não podemos ser os únicos que já pensamos, “Melhor continuarmos dizimando porque temos medo do que pode acontecer se pararmos”. É como pagar ao chefe da máfia do bairro todo mês para manter a gentalha longe da sua loja.

Lembro de ter ouvido um sermão uma vez onde o pastor disse que Deus compensa tudo – que, por exemplo, quando a gente dá o dízimo, talvez o carro não estrague com tanta frequência ou as crianças não fiquem doentes. Isso pode até ser verdade para alguns, mas eu geralmente experimento o oposto: quando decidimos dar um pouco mais, é nesse semana que o carro nos deixa na mão. Às vezes, parece um teste.

Dizimar como um cadeado. Por exemplo, “Nós realmente gostaríamos de poder ajudar aquela pessoa necessitada lá na rua, mas todo o nosso dinheiro extra está reservado para o dízimo semanal”. A gente nunca fez isso conscientemente, mas pensando bem, certamente o fizemos. Oro para nunca mais usar o dízimo dessa forma novamente.

Dizimar como uma arma política. Já vimos pessoas segurar seu dízimo quando não gostam de uma mudança no estilo musical da igreja, ou no ministério com os jovens. Ou não concordam com o salário do pastor. Ou qualquer outra razão que totalmente saia do foco do dizimar e que devem entristecer a Deus grandemente.

Dizimar como um jogo de esconde-esconde. É realmente esperado que seja 10 porcento? Do bruto ou do líquido? Se é do líquido, então devemos dizimar quando sair nossa devolução do imposto de renda? Podemos reivindicar as crianças como deduções? E a mensalidade da faculdade? E se for uma escola Cristã? Se a gente também oferta para os missionários, isso conta como parte dos 10 porcento ou tem que ser extra? Podemos incluir a Bíblia que compramos ano passado? Transformamos Deus no Leão da receita federal celestial. Então dizimar se torna-se “Qual é o mínimo que podemos dar e ainda sermos aprovados?”

Dizimar como uma punição. Dizimistas de longa data, não me digam que pelo menos uma vez você não olhou para os seus amigos com casas maiores e carros do ano e viagens internacionais e lamentou “Bem, se a gente não dizimasse, poderíamos ter algumas dessas coisas legais também.”

Dizimar como um ato de orgulho. Pegue a frase anterior e adicione: “Pelo menos nós somos mais espirituais do que eles. Eles vão ser cobrados algum dia”. Você nem precisa dizer isso em voz alta. Somente deixe esse pensamento entrar em sua mente e o estrago já está feito.

Dizimar como um sacrifício. Como em, “Aqui, Deus, aceite este extrinha que nós temos nesta semana. Sabemos que é para o seu reino. A gente se vira, não se preocupe conosco.” Dizimar certamente é um sacrifício válido, mas quando nós pensamos assim tão barato, começamos a nos ressentir dele. E então podemos parar de dizimar completamente.

Dizimar como um investimento. Visto corretamente, encontra base na escritura: Jesus nos disse para guardar tesouros no céu (Mateus 6:20). Qual é o melhor jeito de fazer isso do que investir na tentativa de levar pessoas pra lá? Como pastor e autor Mark Driscoll diz: “Você não pode levá-lo com você, mas pode mandá-lo na dianteira”. A precaução é que não podemos esquecer as palavras “no céu” e nos distanciarmos de Jesus, ensinando o modelo máquina de caçar-níqueis: coloque um cheque no envelope e espere pelo pagamento com lucros.

“Ser obrigado a” e “ter que”

Então, onde todos esses itens nos levaram, depois de 24 anos e muitos erros? Que tal…

Dizimar como um ato de adoração. Tudo que temos é de Deus. Somos apenas zeladores temporários. Que privilégio poder dar um “naco” de dinheiro de volta pra Ele para ser usado para Sua honra. E se a palavra dizimar retém muita bagagem legalista pra você, então chame de devolver.

Existe algum período em que está certo não dizimar? Em nossa experiência, não. Às vezes até direcionamos parte do dízimo para diferentes lugares se há uma necessidade urgente. Mas não acho uma boa idéia parar de dizimar para pagar a conta do cartão de crédito ou talvez a mensalidade da faculdade. O especialista financeiro Dave Ramsey uma vez me contou numa entrevista que ele e sua esposa dizimavam o mesmo valor duas vezes, uma vez para a igreja e outra para a poupança. A segunda metade era uma maneira de mostrar a Deus que eles confiavam Nele completamente. Em um tempo de crise econômica, me parece um bom conselho.

Estou convencido que Deus não está tão preocupado com o percentual quanto está com a atitude. Minha esposa e eu costumávamos a dar 10 porcento do líquido. Então, aumentamos 1 porcento ao ano durante vários anos, até alcançar 10 porcento do bruto. Agora sentimos que é um bom ponto de partida e é sustentado biblicamente (Deuteronômio 14 e 26, entre outras citações). Às vezes, podemos dar mais e às vezes, não. Mas não existe mais o “somos obrigados a”. Somos livres para dar conforme Deus nos conduz. E é uma festa.

Tudo isso Paulo resume perfeitamente em 2 Coríntios 9:7: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama aquele que dá com alegria”.

E os custos da faculdade? Não acho que tenha sido coincidência que os números ficaram tão equiparados aos nossos dízimos. Decidimos encarar isso como Deus simplesmente dizendo: “confie em mim”.


Jim Killam participa regularmente do MarriagePartnership.com, ensina jornalismo em Northern Illinois University.
Fonte: http://www.christianitytoday.com/

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5 comentários em “Uma abordagem interessante sobre o dízimo

    1. Caro irmão, obrigado por seu comentário.

      Sim! E na verdade é ainda mais antigo. O dízimo a Deus como expressão de gratidão e louvor por suas bênçãos, sustento e vitórias precede mesmo a Lei de Moisés no Antigo Testamento, quando Abraão, antes da Lei, “de tudo deu o dízimo” (Gênesis 14.20). O dízimo foi confirmado na Lei e sancionado por Cristo, quando repreendeu os fariseus. As igrejas, portanto, que adotam com sobriedade e moderação o instituto do dízimo entendem que a Bíblia assim nos ensina. O dízimo existe antes da lei, na lei e também na graça, como expressão de gratidão e adoração a Deus por seu sustento e não como “moeda de troca” para as bênçãos de Deus. Além disso o fazem a fim de que seja investido na pregação do evangelho e na assistência aos santos.

      Um forte abraço,
      IPB Tubarão

  1. O dízimo foi confirmado na Lei e sancionado por Cristo, quando repreendeu os fariseus. e a Circuncisão também não foi antes da Lei? porque só o dizimo a mantém? me refiro em Geral….

    1. Amigo Vinícius,
      Obrigado por sua visita e comentário.

      Deus fez um pacto com Abraão, incluiu seus filhos na aliança, e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. 17.1-14). A circuncisão, na verdade, era o selo da fé que Abraão tinha (ver Rm 4-3,11 com Gn 15.6). Abraão creu e o sinal da sua fé foi aplicado à Isaque, mesmo quando este ainda não podia crer como seu pai.

      Estou persuadido de que a Igreja cristã é a continuação da Igreja do Antigo Testamento. No entanto, em Cristo, o pacto que Deus fez com Abraão alcançou sua plenitude. Toda simbologia do antigo testamento, o que obviamente inclui a circuncisão, eram sombras daquile que estava por vir e daquilo que estava por fazer. Ou seja, Cristo e a cruz.

      Assim, em Cristo, os símbolos da antiga aliança foram substituídos por novos que representam a realidade do pacto que se tornou pleno em Cristo. A Páscoa tornou-se em Ceia, e a circuncisão, em batismo. É por isso que Paulo chama o batismo de “a circuncisão de Cristo” (Cl 2.11-11).

      O dizimo não era nem é símbolo da aliança que Deus fez com seu povo. É ordem de Deus, como expressão de gratidão por suas bênçãos e consagração a ele, para uma questão prática tanto na igreja do Antigo testamento como do Novo: o sustento daqueles que vivem do evangelho, do serviço e do culto a Deus (Nm 18.21-24; 1Co 9.14) e ao auxílio aos necessitados (Dt 12.17-19; 14.22-29; 26.12-14; 2Co 9.8-10). Assim, o dízimo e circuncisão tem finalidades completamente distintas.

      Quanto a validade atual do dízimo, cito o Dr. Alderi em texto que foi publicado também aqui no blog (https://iptubarao.wordpress.com/2009/10/10/dizimo-preceito-cristao/):

      Em primeiro lugar, é preciso atentar para o ensino bíblico global sobre o lugar que os bens devem ter na vida do crente. Deus é o senhor e proprietário supremo de todas as coisas. Os seres humanos são mordomos, ou seja, administradores dos recursos e dádivas de Deus. Aqueles que realmente o amam, são gratos por suas bênçãos e querem servi-lo, se sentirão movidos intimamente a contribuir para causas que engrandecem o seu nome.

      A segunda consideração é pragmática. A igreja é uma associação voluntária. Ela não tem outra fonte estável de sustento a não ser as contribuições dos seus membros. As ofertas ocasionais comprovadamente são insuficientes para atender a todas as necessidades financeiras da comunidade cristã. Torna-se necessário um método de contribuição que seja regular, generoso e proporcional aos recursos dos fiéis.

      Outro argumento se baseia numa comparação entre Israel e a igreja. Os cristãos entendem que têm recebido bênçãos muito maiores que a antiga nação judaica. O que para esta estava na forma de promessas, para os cristãos são realidades concretas, presentes. A vinda do Messias, sua obra de redenção, seus ensinos e os de seus apóstolos (o Novo Testamento), a dádiva do Espírito Santo e a revelação mais plena da vida futura são exemplos desses grandes benefícios usufruídos plenamente na nova aliança. Daí decorre o seguinte raciocínio: se Deus prescreveu o dízimo para o antigo povo de Israel, seria de se esperar que ele requeresse menos dos cristãos, detentores de maiores dádivas? Portanto, muitos estudiosos concluem que o dízimo deve ser, não o teto da contribuição cristã, mas o piso, o mínimo, o ponto de partida.

      Em suma, o que deve habitar o coração do crente é sempre a generosidade, a voluntariedade e a gratidão em contribuir e participar da obra e do reino de Deus…

      Um abraço.

  2. Irmãos esse tema tem me feito pensar e pesquisar um pouco, e quando olho para os Evangelhos e sequência – Atos, cartas paulinas etc..- não vejo a figura do dízimo como era no antigo testamento. Vejo contribuição voluntária para manter os que ensinavam, para socorrer os necessitados, sem necessidade decimal. Não seria mais correto extinguir a terminologia dízimo e assumir contribuição voluntária? ensinar a igreja que o “dízimo” não necessariamente tem que ser entregue na instituição, mas no caso de necessidade servir para comprar alimentos para um necessitado, pagar dívidas que quem precisa? fazer entender quer o dinheiro hoje deve servir ao organismo e não à organização. Obs: sou contribuinte, não me lembro de ter deixado de entregar e faço com muita alegria, pois vejo meu dinheiro ser colocado para pagar dívidas de membros, socorrer um viciado que iria ser morto por dívida de 1000,00 com o tráfico, na manutenção do templo e por aí vai… Paz e graça a todos!

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