Deus gosta da perfeição

Ultimato

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A cada ato de criação, Deus fazia uma pausa e observava o que havia feito. Então ficava satisfeito, porque tudo havia saído a contento. A expressão “E Deus viu que ficou bom” aparece seis vezes no capítulo da Bíblia que relata a criação dos céus e da terra. Depois de tudo pronto, o Gênesis registra que “Deus viu tudo o que havia feito e tudo havia ficado ‘muito’ bom” (1.31).

Se Deus não gostasse da perfeição, estaríamos diante de um Deus estranho, um Deus cujas obras poderiam ser melhoradas. E porque ele é perfeito, a criação e a criatura, originalmente parecidas com ele, deveriam ser perfeitas. Essa ordem foi dada por Deus ao povo eleito durante o êxodo: “Sejam santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). Pedro repassa esse mandamento para o seu rebanho: “Assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo’” (1Pe 1.15-16). No Sermão da Montanha, Jesus ordena a mesma coisa: “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mt 5.48).

Apesar do coração “cheio de maldade e de loucura durante toda a vida” (Ec 9.3), apesar do estorvo sempre presente da pecaminosidade latente (Rm 7.21), apesar da correnteza em sentido contrário, da sociedade no meio da qual se vive (Ef 2.2), e apesar das potestades do ar e do “número tremendo de maus espíritos no mundo espiritual” (Ef 6.12, BV) — a ordem explícita é: “Escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem” (1Jo 2.1).

Embora muito paciente, gracioso, misericordioso e perdoador, Deus é muito exigente. O Decálogo e o Sermão do Monte comprovam isso. Os animais sacrificados como oferta pelo pecado deveriam ser sem defeito. Não podiam ser cegos, aleijados, tomados de úlceras, sarna e outras doenças de pele. Não podiam ter seus testículos machucados, arrancados ou cortados (Lv 22.17-25). O sacerdote, além da perfeição moral, não poderia ter defeitos físicos. O apego à perfeição de Deus exige perfeição de tudo e de todos. A expressão “sem defeito” é quase enfadonha: aparece algumas dezenas de vezes especialmente em Levítico, Números e Ezequiel.

Temos um Sumo Sacerdote sem defeito. Ele é santo, inculpável, puro e separado dos pecadores. Ao contrário de todos os outros, “ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo” (Hb 7.26-27).

A perfeição de Deus incomoda o ser humano. Deixa-o admirado e envergonhado. Esse constrangimento pode levá-lo a Cristo, que amou a igreja e entregou-se por ela para santificá-la e “apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Ef 5.25-27).

Mesmo não alcançando neste corpo e neste mundo a plenitude da perfeição, os crentes devem amar a perfeição como Deus a ama e colocá-la como alvo a ser perseguido. Devem também saber de antemão que, quanto mais perfeitos se tornarem, mais imperfeições encontrarão em seu peito.

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