Da multidão dos que creram

Jônatas Cunha

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Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. (Atos 4.32)

Gosto muito da música que cantamos baseada neste texto de Atos. Ela nos faz lembrar como vivia a igreja em seus primeiros dias e de que forma Deus faz crescer seu reino. Olhando para este livro, vemos uma igreja missionária e que crescia rapidamente. Vemos uma igreja socialmente relevante e ativa. Uma igreja cheia de vitalidade e força. É interessante notar que um dos elementos de base que dão sustentabilidade a este movimento de crescente transformação pessoal e social é a comunhão.

É possível notar como a comunhão dispara uma cadeia de um sem número de conseqüências positivas na vida da igreja primitiva. Uma delas é a ajuda dispensada mutuamente. Eles não compartilhavam seus bens para ter comunhão, mas repartiam suas propriedades justamente porque olhavam para o outro como uma extensão de si mesmo. O próximo não era “um outro”, mas era a continuidade de si mesmo. E todos pensavam de igual forma porque viviam sob a mesma consciência coletiva do Reino de Deus.

A comunhão só existe quando nos vemos no outro e vemos o outro como complemento de nós mesmos. Na comunhão não vejo meu irmão como diferente de mim mesmo, mas me vejo nele. Tenho uma consciência de complementaridade. Sozinho não sou completo, sou apenas em parte. Por isso, vivo a alegria do outro não simplesmente como se fosse a minha, mas porque é também inteiramente minha. Sinto a dor do outro porque ela não é dele, é completamente minha. Temos a consciência coletiva que não fala “eu” nem “meu”, mas “nós” e “nosso”, porque todos somos um só. Um coração. Uma alma. Uma mente.

Entretanto, notamos também que havia comunhão porque havia doutrina. A comunhão era fruto do conhecimento de Deus e da graça de Cristo revelada na pregação dos apóstolos. Eles perseveravam na doutrina da graça e isso os mantinha unidos na comunhão que vem da cruz. Eram diferentes entre si, mas Cristo é o seu ponto de convergência.

Para encontrar a vitalidade da comunhão verdadeira, é preciso levar a vida aos pés da cruz. É preciso lembrar que precisamos da graça que não é só perdoadora, mas é também transformadora. É preciso perseverar dia a dia na Palavra de Cristo. É preciso buscar Cristo e sua graça por meio das Escrituras como quem busca o ouro refinado. É preciso desejá-lo como o tesouro. É preciso saber que somente em Cristo estão as palavras da vida.

Comunhão é a vitalidade da igreja. Sem comunhão a igreja não existe. Apenas somos igreja quando somos uns para os outros. Quando existimos além da nossa individualidade e da consciência de interesses particulares. Quando somos apenas para nós mesmos, não somos igreja de Cristo, não somos seu corpo. A igreja só existe quando somos juntos. Separados, não somos nada além de palha e poeira.

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