Parasitismo Espiritual

Jônatas Cunha

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Você sabe o que são parasitas? Parasitas são organismos que, em pelo menos uma fase do seu desenvolvimento, vivem em associação a outro organismo, dito hospedeiro, do qual obtém a totalidade ou parte dos nutrientes para a sua sobrevivência. Os parasitas normalmente prejudicam o hospedeiro em um processo conhecido por parasitismo. Definindo de forma simplificada: vivem no corpo; não fazem parte do corpo; e prejudicam o corpo.

Ao contrário do que parece, isso não é um artigo de biologia (até porque esse assunto não está no alforje de minha competência). Na verdade, é uma reflexão sobre a vida e a natureza da igreja: assim como um organismo adoece ao se tornar hospedeiro de parasitas, a igreja, corpo espiritual de Cristo, igualmente adoece por causa do parasitismo espiritual.

Ao escrever para exortar a igreja em Corinto, Paulo utiliza uma metáfora para descrever a vida comunitária, dizendo: “Ora, vós [a igreja] sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros deste corpo” (1Co 12.27). Os coríntios estavam divididos por causa do orgulho. Uns se achavam mais espirituais e, por isso, melhores que os outros, julgando ter mais ou melhores dons.

Nessa exortação à unidade, ele compara a comunhão da igreja à perfeição da comunhão do corpo, em que os membros não têm vida senão no corpo. Na concepção de Paulo, a igreja verdadeira é uma comunidade que vive a profundidade da comunhão: os que são verdadeiramente membros deste corpo espiritual estão na comunhão e não tem vida fora dele. Precisam estar conectados uns ao outros e a Cristo, que é a cabeça.

O cerne desta reflexão nasce justamente na proposição negativa deste conceito: se, de fato, só faz parte deste corpo espiritual quem vive a genuína comunhão, logo quem está no corpo e não vive a comunhão do corpo, não faz parte dele. É parasita espiritual.

O parasita depende da espiritualidade do corpo. Ele não busca nutrição na fonte. O parasita é, por natureza, egoísta e não está nem um pouco preocupado com a saúde do corpo. Ele só se preocupa em absorver do corpo o máximo que puder. O parasita sobrevive sob esta espiritualidade esponjosa, sugando do corpo sem nunca se doar por ele. É exatamente por isso que surgem os primeiros sintomas do adoecimento pelo parasitismo espiritual: aparecem divisões, contendas, brotam mentiras, orgulho, descontentamento, mágoas, etc.

Não viver a comunhão é dar lugar a uma forma de parasitismo espiritual em nossa vida. Não viver a comunhão é estar no corpo, mas não fazer parte dele. É viver no corpo, mas não viver pelo corpo e muito menos para o corpo.

Não é sem motivo que Paulo escreve o capítulo do amor (1Co 13) depois de fazer esta exortação. A comunhão pelo amor é termômetro da saúde da igreja. É sinal de que somos partes especiais e essenciais do glorioso corpo espiritual de Cristo. É indicador de que não temos vida independente, mas que juntos vivemos no Filho. É o modelo de vida no corpo, pelo corpo, e para o corpo espiritual de Cristo. Onde há comunhão, ali ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre.

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