A dor era muito grande…

Jônatas Cunha

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Ao ver um dos noticiários que acompanhavam as tragédias em nosso estado, a cena que mais me marcou nesta semana foi de um jovem pai e marido que relatava como havia perdido sua esposa grávida e sua pequena filha nos desmoronamentos, sem conseguir de qualquer forma salvar nenhuma delas.

Ele disse: “Se pelo menos tivesse conseguido salvar uma para me ficar de consolo”. A dor é muito grande e a necessidade de consolo também.

Este episódio de dor me fez lembrar da história de Jó, que de uma só vez perdeu todos os seus filhos, todos os seus bens e ainda a sua saúde (Jó 1-2). Seus amigos se achegaram para lhe dar consolo, mas por sete dias nada lhe falaram porque “viam que a dor era muito grande” (Jó 2.13). Depois disso, em vez de oferecer consolo, apimentaram sua ferida fazendo-lhe acusações de infidelidade com Deus.

A dor de todas aquelas pessoas flageladas pelas enchentes, e de muitas outras aqui perto de nós que nem conhecemos direito, é muito grande. O problema é que, muitas vezes, apenas nos assentamos ao lado, como os amigos de Jó, e nos calamos, como se apenas isso fosse o consolo. Ou, quando abrimos a boca, fazemos acusações ou damos justificativas infundadas para sofrimento alheio. Calamo-nos ou falamos demais e não fazemos nada. Não oferecemos consolo.

Como cristãos, somos agentes de Deus no mundo e, por isso, veículos do consolo que só ele pode oferecer. Como disse o apóstolo Paulo: “Bendito seja o Deus (…) de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (2Co 1.3-5).

A necessidade de consolo das pessoas atingidas é muito grande. Só sabemos que a dor e muito grande. Não podemos medi-la com precisão. Precisamos oferecer o consolo ao que sofre em grande medida. Consolo material da ajuda imediata aos que perderam tudo e não lhes resta nem mesmo um lugar para deitar a cabeça. O consolo emocional daqueles que se assentam e choram juntos mesmo sem saber o tamanho da dor do outro, mas a sentem porque o próximo é amado como a si mesmo. O consolo espiritual que fomenta a esperança em Cristo e que renova as forças para atravessar o sofrimento.

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