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De sons e silêncio

Jeremy Walker

Como muitos, talvez você fique chocado com quão frequentemente o Senhor Jesus ordena que aqueles que ele curou mantenham silêncio sobre o que aconteceu e a ordem é imediatamente não apenas ignorada, mas absolutamente violada.

“Horror!”, dizemos, “Eles não o escutaram? Eles não estavam ouvindo quando ele disse para não contar nada? Se Jesus dissesse isso para mim, certamente eu o obedeceria”.

É claro que sim, amigo, porque concorda perfeitamente com sua prática atual. Você está muito feliz por não falar nada sobre o Senhor Cristo. O problema é que, claro, os tempos mudaram, e o Senhor Jesus deu uma ordem para você, que não guarde silêncio, mas que torne pública a pessoa e a obra dele, que declare louvores àquele que te chamou das trevas para sua maravilhosa luz.

Jesus ordenou que os homens e mulheres curados fizessem algo que era, em certo sentido, antinatural. Eles simplesmente receberam uma bênção de magnitude assombrosa, a necessidade gritante de suas vidas foi tratada. Sem entrar nos motivos de nosso Senhor para aquela ordem, nós deveríamos pelo menos ser capazes de entender porque eles desobedeceram, mesmo se aceitarmos que sua obediência foi inescusável.

Nosso mandamento é algo que deveria ser eminentemente natural. O problema é que não é sempre agradável. Recebemos uma bênção incalculável. Passamos da morte para a vida, das trevas para a luz, da cegueira para a visão, da surdez para o ouvir, da miséria para alegria, da condenação para justificação, e somos convidados e instruídos a espalhar as maravilhas da graça de Deus em Cristo.

Nós não escutamos? Não ouvimos o que ele nos ordenou a falar?

Qual é o maior ato de desobediência?

Jeremy Walker • Traduzido por Josaías Jr • iPródigo.com
CC BY-NC-ND 3.0 • This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil License

Só a Deus Glória

Ricardo Barbosa de Sousa

Durante os domingos do mês de outubro de 2011 meditamos sobre os cinco “solas” da Reforma (“Sola Scriptura”, “Solus Christus”, “Sola gratia”, “Sola fide” e “Soli Deo gloria”). Estas cinco declarações representam uma síntese do pensamento dos reformadores do século 16.

As quatro primeiras têm uma definição objetiva. Já a quinta — Só a Deus glória — permanece para muitos cristãos como uma afirmação subjetiva. Os dicionários definem a palavra glória como: beleza, esplendor, honra, exaltação, grandeza, fama. O pôr do sol em Brasília, nos meses de setembro e outubro, é de uma beleza indescritível. Podemos chamar isto de glória. Receber nove medalhas olímpicas, das quais cinco são de ouro, e a nota máxima na ginástica olímpica, um feito inédito, deu à romena Nadia Comaneci em 1976 a glória de sair na capa da revista Times com os seguintes dizeres: “Ela é perfeita”. Porém, quando nos referimos à glória de Deus, o que ela significa?

Para muitos cristãos, significa que qualquer mérito a eles atribuído deve ser redirecionado a Deus. Foi para a glória de Deus — dizem. Embora seja um gesto correto, permanece como uma compreensão bastante limitada do que significa a glória de Deus. Podemos dizer que ela significa a majestade, grandeza e beleza de Deus. É verdade, mas de que forma um conceito tão eloquente e majestoso pode ser compreendido de forma mais objetiva por nós?

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Entre percevejos e mediocridades

Fábio Ramos de Carvalho

Escapei aos tigres, alimentei os percevejos, fui devorado pelas mediocridades. (Bertold Brecht)

Por que o ser humano é quase sempre tão complicado? Por que é tão fácil observarmos ao redor tantas contradições e intolerâncias? E o extremo egoísmo expresso no difícil convívio social? Por que é tão comum, também, vermos reações doentias e imprevisíveis daqueles que nos rodeiam, que nos são próximos?

Mas talvez a pior e mais surpreendente perplexidade seja quando nos vemos, exatamente, com as mesmas reações doentias que percebemos nos outros! Tantos porquês existem em virtude de serem comportamentos contrários ao que se espera de uma pessoa cristã. Essa ambigüidade é característica iminente do ser humano e, parafraseando o dramaturgo alemão Bertold Brecht:

Escapamos dos tigres: experimentamos um verdadeiro relacionamento com Deus, fomos libertos da opressão e de cadeias espirituais, e somos diariamente salvos da morte…

Alimentamos os percevejos: cultivamos a autocomiseração, o rancor guardado a sete chaves, a recusa em vivenciar um perdão genuíno…

Somos devorados pelas mediocridades: Aí ficamos doentes, murmuradores, sempre indispostos, cabisbaixos, revoltosos, impedindo que do nosso interior fluam rios de água viva.

Mas o pior disso tudo é que não assumimos nossos percevejos e mediocridades e, para disfarçá-los, nos valemos malignamente de verdadeiros eufemismos comportamentais. O apóstolo Paulo adverte em sua carta aos Colossenses (2:23), falando de coisas que têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. Leia o resto deste post

Não basta dizer, é preciso fazer

Ricardo Barbosa de Sousa

Muitos gostariam que o Sermão do Monte terminasse com a conhecida “lei áurea” — “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mt 7.12). E o mais famoso sermão de Jesus terminaria com um bom resumo de tudo o que ele havia acabado de ensinar.

Porém, Mateus não termina assim. Ele segue com uma recomendação e conclui com uma pequena parábola, na qual Jesus deixa claro o que ele espera dos seus ouvintes. Uma forma de entender a conclusão desse sermão são os pronomes: “nem todo o que “me” diz”, “aquele que faz a vontade do “meu” Pai”, “hão de dizer-‘me’”, “apartai-vos de ‘mim’”, “ouve as ‘minhas’ palavras”. Eles nos levam a considerar quem ensina, e não apenas o que se ensina. São essas palavras que formarão o texto que definirá o julgamento, que terá como fundamento o que as pessoas fizeram com suas palavras.

Jesus começa sua recomendação dizendo: “Entrai pela porta estreita” (v. 13). Não é simplesmente um convite, mas um imperativo. No final do sermão, Jesus afirma que existem duas portas e dois caminhos. Um deles leva à morte; o outro, à vida. Jesus reconhece, com tristeza, que são poucos os que entram pelo caminho estreito (v. 14).

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Fé é também obedecer…

Ronaldo Lidório

A fé é transformadora e consoladora, fundamentada em um Deus que controla o incontrolável.

Hebreus é um dos livros mais fascinantes da Bíblia e nos conduz a crer que a missão da Igreja está fundamentada em Cristo. Este livro fortemente cristocêntrico apresenta Jesus logo no primeiro capítulo como O resplendor da glória, Herdeiro de todas as coisas, Sustentador do universo, Purificador de pecados, Majestoso e Superior aos anjos.

Inicia com dois versos que falam que Deus havia outrora falado e que hoje o faz através do seu Filho, Jesus Cristo, expondo que a fé cristã não é apenas um aglomerado de informações históricas mas é para hoje, nossos dias, nosso tempo.

Um dos principais temas deste livro é a fé. Enquanto a fé crê no invisível a superstição crê no inexistente. No capítulo 11 encontramos a galeria dos heróis da fé, aqueles que traduziram o conhecimento de Deus para a vida com Deus.

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Entre desertos e palácios…

Ricardo Agreste

Ao longo de minha caminhada cristã, não foram poucas as vezes em que me encontrei cercado por circunstâncias adversas. Em diversas ocasiões, carreguei dentro de mim um sentimento de que não conseguiria sair de uma determinada situação. Se não bastassem os problemas externos que me afligiam, meu ânimo se encontrava debilitado e sentimentos contraditórios me deixavam ainda mais confuso. Para completar o cenário caótico, em alguns destes momentos, um outro elemento intensificava ainda mais a crise: a sensação de que Deus não estava ouvindo minhas palavras ou olhando por mim.

Apesar de ouvirmos muito pouco acerca da realidade destes momentos, ao longo da jornada de um cristão eles existem de fato. Descrevendo sua angústia em uma destas fases de sua caminhada cristã, João da Cruz chega a definir tal momento como sua “noite escura da alma”. Eu, particularmente, tenho optado por nomeá-lo simplesmente como deserto. O deserto, como espaço geográfico, é um lugar árido e de visual caracterizado pela desolação. Sua imagem transmite a todos a idéia de ausência de vida e iminência de morte. No entanto, é interessante notar que na espiritualidade bíblica o deserto não representa um lugar de perdição e destruição. Muito pelo contrário – nas páginas das Escrituras ele é retratado inúmeras vezes como um lugar onde pessoas são surpreendidas pela presença de Deus e por seu cuidado gracioso para com suas vidas. Leia o resto deste post

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